×
Siga-nos:
Classe Contábil
PUBLICADO 5 meses ATRÁS.

Prévia da inflação de junho sobe 1,11% e fica acima de projeções de analistas

A prévia da inflação de junho, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), subiu 1,11% em junho, acima das projeções de analistas ouvidos pelo DCI, que apontavam alta entre 0,82% e 1% para o período.

Pressionada pelos preços dos combustíveis, alimentos e energia elétrica, a prévia do mês indica que o IPCA deve ter elevação de até 1,15% no resultado fechado de junho, refletindo o repasse integral dos efeitos da greve dos caminhoneiros e da mudança de bandeira tarifária de amarela para vermelha.

Esta é a avaliação do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), André Braz. A tendência é que, a partir de julho, a inflação desacelere nos resultados mensais, devido à normalização da distribuição de alimentos e de uma acomodação dos preços dos combustíveis.

André Braz, ressalta, por outro lado, que a forte desvalorização do real frente ao dólar pode fazer com que o IPCA de 2018 feche um pouco acima de 4,00%, algo que o mercado não esperava antes do mês de maio. Em meados de abril, por exemplo, instituições financeiras projetavam alta de 3,48% para a inflação de 2018. Hoje, a estimativa está em 3,88%.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, a variação de 1,11% em junho mostrou forte aceleração em relação a maio, quando a elevação de preços foi de 0,14%, resultado 0,97 ponto percentual menor do que este mês. A taxa foi a maior variação para um mês de junho desde 1995 (2,25%).

Os grupos dos Transportes (1,95%), Habitação (1,74%) e Alimentação (1,57%) foram os principais itens que puxaram o avanço do IPCA-15.

Intensidade

Na avaliação do economista da GO Associados, Luiz Fernando Castelli, o que mais surpreendeu foi o aumento de preços dos alimentos. “Nós já esperávamos que este grupo subiria, mas não nessa magnitude. Muitas vezes, nós não conseguimos captar o que está acontecendo com todos os grupos [do IPCA]”, afirma Castelli. “A greve, de fato, teve um forte impacto nos preços”, ressalta.

Segundo ele, a alta nos preços dos alimentos será devolvida nos próximos meses, ou seja, registrará desaceleração, diante da regularização da distribuição dos produtos. Castelli projetava avanço de 0,82% para a prévia da inflação de junho. Com o resultado de ontem, ele estima uma alta de 0,92% no IPCA de junho.

André Braz, por sua vez, previa um avanço de 1% para o IPCA-15 deste mês. “O resultado veio um pouco acima da mediana”, reforça. “No entanto, as fontes de pressão não causaram surpresa. O que surpreendeu foi a intensidade”, complementa o pesquisador.

Segundo ele, daqui até o final do mês haverá um arrefecimento dos preços dos alimentos in natura, como os tubérculos, raízes e legumes, que dispararam 21,83% na prévia de junho, e as hortaliças e as verduras (+4,02%), em decorrência da normalização do abastecimento. Os destaques foram a batata-inglesa (45,12%), cebola (19,95%), tomate (14,15%) e frutas (2,03%).

Por outro lado, as carnes de frango e os produtos derivados do trigo pressionarão o índice. “Além da morte de aves durante a greve, os preços das rações –que são derivadas do milho e da soja, principalmente –subiram pressionados pela alta do dólar. Fora esses dois fatores, houve quebra de safra de soja da Argentina”, esclarece.

Combustíveis

No grupo Transportes, os combustíveis que haviam caído 0,17% em maio, subiu 5,94% em junho. O destaque foi a gasolina (de 0,81% em maio para 6,98% em junho), responsável pelo maior impacto individual no índice (0,31 p.p.), o que representa 28% do IPCA-15 de junho. O etanol acelerou em junho (2,36%), após a deflação (-5,17%) registrada em maio.

“Com o fim da greve e acomodação do preço do barril de petróleo no mercado internacional, a inflação de combustíveis não deve provocar pressões de alta ao longo do ano”, comenta Luiz Castelli.

Já no grupo Habitação, o destaque foi o item energia elétrica, que apresentou alta de 5,44%, representando a vigência, a partir de 1º de junho, da bandeira tarifária vermelha e reajustes em Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza e Porto Alegre. André Braz comenta que este item pressionará a inflação até o final de junho, refletindo o restante do impacto da bandeira vermelha e reajustes em outras cidades do País. Segundo ele, choques adicionais no cenário, a exemplo da greve recente, pode levar o IPCA a 4,2% em 2018.

 

Fonte: DCI




COMPARTILHAR

Deixe uma resposta

*Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Leia também

Receba gratuitamente nosso informativo de artigos e notícias em seu e-mail