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Classe Contábil
PUBLICADO 8 meses ATRÁS.

Para onde vai a contabilidade?

Era uma terça feira de inverno no hemisfério norte, e uma pessoa meio grisalha e meio careca reuniu imprensa e público para apresentar um produto que, a princípio, causou estranheza. O dia era 09 de janeiro de 2007, a pessoa chamava-se Steve Jobs, e o produto apresentado era o Iphone 1.

O dispositivo, totalmente diferente de qualquer outro celular que existia na ocasião, não tinha teclado físico, chegou a ser comparado com um Ipod que fazia ligações, e era mais caro do que todos os seus concorrentes diretos.

Pouco depois, outra pessoa muito influente no mundo da tecnologia deu uma entrevista falando sobre o lançamento do Iphone 1. Em seus comentários, este especialista debochava do lançamento e dizia coisas como: “$500 Dólares?”; “Vamos concorrer com o telefone mais caro do mundo?”; “Ele nem atrai consumidores executivos, pois não tem teclado físico”; “Neste exato momento, nós vendemos milhões, e milhões e milhões de aparelhos e eles vendem Zero telefones por ano”. O especialista que fez previsões sobre o fracasso do Iphone era ninguém menos do que o presidente da Microsfot, Steve Ballmer.

Não, você não está lendo o artigo errado. Vamos aqui falar sobre Para Onde Vai a Contabilidade, mas penso que é justo e necessário começar por dizer que, no fundo no fundo, ninguém sabe com certeza.

Você vai encontrar muitos especialistas apregoando a certeza do que virá para o mercado de contabilidade, assim como Ballmer apregoava a certeza do viria para o mercado de celulares, mas quero começar nossa conversa aqui alertando para o fato de que especialistas tem uma visão, mas não podem garantir o que vai acontecer.

Steve Ballmer arrependeu-se grandemente de seu deboche, e nos deixou duas grandes lições:

 

  1. Não se pode prever o futuro com absoluta certeza
  2. Não se pode adotar uma postura de arrogância diante de novas tendências

 

Dito isto, podemos então conversar sobre Para Onde Vai a Contabilidade, com a clareza de que estas reflexões podem ajudar a pensar o futuro, mas não necessariamente a prever o futuro.

 

Preços menores, serviços melhores

Alguns anos atrás fui procurado pelo Editor do Jornal o Estado de São Paulo, Renato Janikas, para uma entrevista sobre Compartilhamento da Economia, ou melhor dizendo, sobre esta tendência dos compradores de buscarem Produtos/Serviços de maior qualidade, com maior rapidez e a preços menores. Muito bem, esta tendência veio para ficar, já afeta fortemente o mercado de contabilidade e vai se fortalecer cada vez mais.

 

Relacionamentos Líquidos

Outra tendência neste futuro reservado à contabilidade é a dos relacionamento líquidos, conforme assim os define o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman. Segundo ele, as relações do futuro ficarão cada vez menos sólidas – dai o conceito de líquidos – e os elos que unem consumidores e fornecedores serão cada vez menos fortes. Para o futuro da contabilidade, aquele relacionamento de extrema confiança, no qual eu não troco de contador de jeito nenhum, tende a perder espaço. Outros fatores, antes não determinantes na contratação de um contador, passarão a ocupar cada vez mais espaço; fatores como praticidade, percepção de valor, agilidade, forma de atendimento e preço.

 

Consolidação do Mercado de Contabilidade

Já acontece no mercado de contabilidade um forte movimento de consolidação, no qual empresas de contabilidade começam a se fundir, com o objetivo de criar maior volume operacional, permitindo maior rentabilidade, maior competitividade, aprimoramento das melhores práticas e em suma sobrevivência.

Veja o mercado de farmácias por exemplo. Não muito tempo atrás havia um relacionamento muito intimo entre farmacêutico e consumidor. Havia mesmo uma cumplicidade entre ambos. Olhe o mercado de farmácias agora; pouquíssimos são os casos de farmácias individuais que continuam em operação, atualmente o mercado de farmácias é dominado por grandes redes, que disputam mercado entre sí.

Prepara-se, tudo indica que o futuro da contabilidade vai na mesma direção, pequenos escritórios de contabilidade tendem a diminuir sua participação no mercado, e grupos maiores, inclusive com modelos de franquias tendem a tomar mercado.

 

Impactos da Tecnologia

Recentemente recebi aqui na Sevilha Contabilidade o Professor Renato Rocha, que é titular da cadeira de Inteligência Artificial da FGV RJ. Ele veio conversar conosco sobre Inteligência Artifical, Machine Learning e Deep Learning. Saí da conversa, perdoem o termo, embasbacado.

Nós aqui da Sevilha, no nosso segmento de tecnologia, já lidamos diariamente com aplicação de tecnologia no cotidiano contábil. Desenvolvemos robôs que simulam o comportamento humano e realizam tarefas antes reservadas às pessoas. Atividades como folha de pagamento, apuração de impostos e mesmo contabilização, já são feitas aqui e por nossos franqueados por máquinas, sem a necessidade de intervenção humana.

Mas conhecer com o Professor Renato Rocha, o que a FGV vem trabalhando nos segmentos de Inteligência Artificial, abriu nossas mentes para possibilidades ainda maiores. Cruzamentos de informações através de big data, aplicações de reconhecimento de comportamento, medições de dados que gerem informações e previsões para clientes.

Tecnologia será o grande aliado da contabilidade do futuro.

 

A profissão de contador, vai acabar?

Depende de como você define contador. Se para você contador é aquele profissional que trabalha com burocracia, preenchimento de obrigações acessórias, que olha mais para atender ao que o governo exige do que para atender o que a empresa precisa, a resposta é SIM, este profissional vai deixar de existir.

Mas em seu lugar nascerá um outro profissional, aquele que concentra suas energias em gerar valor para seus clientes, ajudando-os a serem mais lucrativos e melhor sucedidos; aquele que faz parte do processo decisório de seus clientes como alguém indispensável; aquele que é valorizado e reconhecido por ser fundamental para o sucesso de uma empresa.

Penso que é só uma questão de escolher que profissional você quer ser, e se encaminhar na direção certa.




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