×
Siga-nos:
Classe Contábil
PUBLICADO 16 anos ATRÁS.

Neopatrimonialismo – Moderna corrente científica da contabilidade

(Bases e história de uma revolução do pensamento contábil contemporâneo)

1. VALOR DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

O ser humano não é o autor de nenhuma verdade, mas, só conseguiu evoluir quando pelo conhecimento das causas conseguiu entender a realidade sobre o acontecimento dos fatos.

Quando a busca do saber se iniciou no tempo não se pode determinar, mas, parece ter sido associada à própria natureza sensível do homem.

Certamente, foram os frutos da curiosidade e da dúvida os que conduziram o ser humano a refletir e pela reflexão a perseguir as explicações.

Todavia, muitos foram os milênios que se passaram até que se encontrasse o caminho que direcionasse a uma realidade sobre o acontecimento das coisas.

Consagrou-se, ao longo do tempo, entender que a verdade sobre a ocorrência dos fatos encontra-se através de um processo especial e superior da mente humana, este, só bem muito mais tarde ensejado pela ciência.

Buscar a realidade sobre o que acontece a uma coisa determinada (objeto), seguindo a uma organizada e sistemática forma de pensar, sob uma ordem lógica (método), estabelecendo relações entre os fatos observados, para encontrar a verdade sobre um aspecto definido (finalidade), passou a ser a obstinação dos seres no uso de suas capacidades racionais superiores (ciência).

Tais esforços iniciaram-se há milênios dentro do campo da filosofia e depois se concentraram em uma forma específica de raciocinar.

Das primeiras conclusões da investigação humana que geraram a invenção do fogo há cerca de 500.000 anos, até a descoberta dos genomas, um grande esforço, sempre em somatória, foi desenvolvido.

Das concepções primitivas, das primeiras investidas racionais de Tales de Mileto (há mais de 2.700 anos atrás), até as que hoje conduzem o homem à intimidade de seu corpo (genética) ou ao espaço sideral (astrofísica) longo é o tempo que traçou a história da ciência.

Dentre os conhecimentos, pois, é o científico o que dignifica a inteligência humana e o que distingue os seres uns dos outros.

2. CONTABILIDADE E CIÊNCIA

A vocação para o entendimento das coisas, de forma organizada, paulatinamente acentuou-se em todos os campos do conhecimento, mas, foi a partir do século XVII que se acelerou o desenvolvimento da ciência para que nos seguintes conseguisse a sua afirmação.

A Contabilidade seguiu a este ritmo evolutivo, também.

Nascida do simples registro rude sobre o que ocorria com a riqueza conquistada (como o comprovam as inscrições rupestres de Lascaux, na França e diversas grutas inclusive e fartamente nas brasileiras de Minas Gerais, Piauí e outras regiões) o `conhecimento sobre os fatos patrimoniais` surgiu de uma intuição natural, mas foi-se racionalizando na medida em que também a sociedade se organizava e se enriquecia.

A escrita foi a gênese deste conhecimento porque a memória dos fatos preocupou ao homem em primeiro lugar, antes mesmo que este procurasse entender as razões pelas quais as coisas aconteciam com a riqueza.

Não foi diferente com a Química e que nasceu de uma desordenada forma de misturar corpos, nem com as matemáticas que nasceu de `fazer contas` utilizando cordas, seixos e outros objetos rudimentares.

Longo foi o caminho de todos estes conhecimentos e a Contabilidade parece ter iniciado sua evolução para uma formação conceptual (base da doutrinária) ao mesmo tempo em que também se perseguiam outras verdades em outros ramos do conhecimento humano.

O conceito é uma evolução do raciocínio e esta aparece há milênios no campo dos fatos contábeis, nas mais remotas civilizações.

Segundo o que sabemos sobre as obras que chegaram até nós foi há cerca de mais de 2.300 anos, que as reflexões e escritos de Kautylia, na Índia (onde uma próspera civilização desenvolveu-se há mais de 3.500 anos às margens do rio Indo) ensaiaram enunciados contabilísticos.

Uma fase, todavia, deveras pré-científica é possível admitir que tenha nascido apenas há cerca de pouco mais de 400 anos, denunciada pela obra de Ângelo Pietra, de 1586.

Somente no início do século XIX, entretanto, quando também nascia a Sociologia e se consolidavam outros conhecimentos é que a Contabilidade foi considerada ostensiva e reconhecidamente como ciência, pela Academia de Ciências da França.

3. CORRENTES CIENTÍFICAS EM CONTABILIDADE

A autoridade intelectual que entendeu ser a Contabilidade um conhecimento superior como `ciência social`, foi a mais expressiva Academia Científica do mundo ocidental em sua época.

Naquela mesma época (século XIX) uma euforia cultural deu origem ao aparecimento das primeiras correntes de pensamentos, especialmente na Itália e França, estas a seguir (século XX) ampliadas sensivelmente ainda nestes paises mas com expressivas extensões em Alemanha, Portugal e Espanha.

Muitos intelectuais buscaram defender um campo de estudos específico para o desenvolvimento de nossos estudos, cada qual com uma vocação e pendor, mas, todos, buscando a melhor forma que entendiam como caminho para uma metodologia.

A forma de observar a nossa matéria de indagação foi base e motivo para que se constituíssem as escolas de pensamentos e se estabelecessem as correntes científicas.

Cada uma buscou, dentro de sua ótica, dignificar a Contabilidade e assim se constituíram principalmente as correntes do Materialismo Substancial, Contismo, Personalismo, Controlismo, Neocontrolismo, Reditualismo, Aziendalismo e Patrimonialismo.

Seguiu-se a tradição fortemente herdada das raízes do positivismo e que foi a da fixação do `objeto do saber` como condição determinante para toda a metodologia a se desenvolver.

4. O PATRIMONIALISMO

A escola científica que maior influência exerceu em todo o mundo foi a patrimonialista, de Vincenzo Masi, embora o respeito e culto ao grande cientista não tivesse tido a repercussão que mereceu.

A vocação em admitir as contas como `objeto`, na prática acabou por determinar que elas não eram, senão, a manifestação expressa de fatos, estes, sim, os que mereciam a indagação.

A conta, apenas uma expressão gráfica e organizada, não é o próprio fato que registra, como uma fotografia não é a própria pessoa que espelha, falecendo-lhe a substância lógica, portanto, para ser um objeto de ciência.

O `Contismo`, pois, foi uma inconsciente forma de patrimonialismo, mas, não aquele que Masi desenvolveria em toda a sua magnitude.

Os contistas, mesmo os de maior nível cultural como o foi Dumarchey, trataram a matéria doutrinária sob a égide de fatos patrimoniais e as classificações e modelos que apresentaram só àqueles representaram.

A ótica masiana, todavia, abrangente, preocupou-se com uma metodologia centrada na `azienda` ou `célula social`, seguindo a linha de Fábio Besta (este que já se evidenciara mais como um verdadeiro patrimonialista que mesmo um controlista), mas, situando-se muito além de todas as concepções contistas.

O entendimento da Contabilidade como a ciência que estuda os fenômenos patrimoniais ganhou, assim, uma outra e consagrada posição de reconhecimento na comunidade cientifica internacional e que se estabilizou pelo seu vigor.

No mundo de língua portuguesa consagraram-se como patrimonialistas de relevo: Jaime Lopes Amorim (Portugal), Francisco D´Áuria, Frederico Herrmann Júnior, Hilário Franco (este três últimos no Brasil) e Martim Noel Monteiro (em Portugal).

5. TRANSFORMAÇÕES NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO PASSADO

As mudanças dos ambientes sociais implicam em exigências de novas observações dos fatos ligados ao homem, destes nos quais os da Contabilidade se inserem.

O curso da civilização foi sempre ascendente, mas, o século XX talvez tenha sido o que mais influenciou a vida social em razão de profundas mudanças, destas que nos fizeram penetrar em uma nova era, a que se identificou como a `era do Conhecimento`.

A Contabilidade enfrentou as grandes mudanças impostas e acelerou nos últimos anos a sua conquista científica diante das seguintes grandes realidades:

1) Avanço prodigioso da informática,

2) Internacionalização dos mercados e que imprimem modificações nos procedimentos de concorrência através de preços e qualidade,

3) Declínio considerável da ética e da moral,

4) Facilidade extrema da comunicação,

5) Relevância dos aspectos sociais,

6) Abusiva concentração da riqueza e excessos da especulação financeira,

7) Intervenção cada vez maior do Estado no destino dos empreendimentos e na ação humana pelo trabalho,

8) Aumento considerável dos índices de miséria,

9) Avanço expressivo das tecnologias e da ciência,

10) Necessidade de preservar o planeta em suas condições ecológicas, pelos graves danos causados pela era industrial; aparecimento da Bioética como disciplina específica e relativa ao comportamento perante a vida e

11) Grandes esforços de harmonização de princípios e normas.

Todos esses fatores ambientais (em relação à vida do patrimônio das células sociais), passaram a exigir novos comportamentos nos estudos contábeis, forçando, especialmente, uma visão holística.

Ao contabilista de nossos dias não se permitiu mais, pois, o confinar-se em matéria de conhecimento nem a simples técnicas de registros e demonstrações, nem tão pouco ao conformar-se em tomar conhecimento de fatos confinados em uma empresa ou instituição.

A função executiva dos registros e que nunca foi apenas a exclusiva, mesmo na antiguidade, tendo cedido lugar a partir do século XVIII a uma outra fase, a de explicação e interpretação, na atualidade, entretanto, foi forçada a expandir-se para uma de conexão com todos os ambientes que como agentes atuam e são atuados pela riqueza.

6. BASES DO NEOPATRIMONIALISMO

Preocupou-me, ao imaginar as bases de uma doutrina que pudesse revolucionar o pensamento contábil, a nova vocação científica que passava a predominar e que era a de pender mais para a `maneira de saber` do que para o `objeto do saber`, e, também, a que particularmente me inquietava e que era a da maior `abrangência da finalidade do saber`.

Entendi que a uma transformação do modo de entender e viver deveria corresponder uma mudança igualmente radical nas visões doutrinárias da Contabilidade, mas, isto só poderia ocorrer partindo de uma filosofia que guiasse a pesquisa e atravez de uma teoria que pudesse dita-la.

Se o século XVI havia sido o da `revolução cientifica`, o XIX o da `consagração da ciência` e o XX o da `explosão cientifica`, certamente o XXI deveria ater-se ao de uma `filosofia do conhecimento` para que fosse sustentado o progresso que decorreria dos avanços dos séculos pretéritos referidos.

Eu já havia escrito, na metade do século XX, uma obra de Filosofia da Contabilidade visando a ensejar uma Teoria Geral de nossa área e que pudesse estar de acordo com os rigores da Epistemologia.

A aludida publicação, que tanta polêmica benéfica causou com Lopes Amorim, que estimulou Masi a escrever obra semelhante anos depois, tinha, todavia, a intenção exclusiva de dar dignidade epistemológica ao nosso conhecimento e oferecerbases para a implantação de metodologias novas.

Ou seja, preocupava-me `o conhecimento do conhecimento contábil`.

A obra que havia saído na França, editada pela Payot, de autoria de Georges Gusdorf (Da História das Ciências à História do Pensamento) na década de 70, do século XX, trouxe elementos preciosos para o apoio de uma nova reflexão no campo contábil, especialmente pela forma inteligente com a qual o autor convocava os estudiosos para um esforço em dirigir a ciência para um maior proveito da humanidade (e isto também coincidia com os meus escritos da década de 50 do mesmo século).

Aceitando as doutrinas de Masi, D´Áuria e Lopes Amorim, basicamente, formulei então a minha Teoria Geral do Conhecimento Contábil, a partir de uma teoria do fenômeno patrimonial (Teoria das Funções Sistemáticas do Patrimônio das Células Sociais).

Fora a partir da década de 60 do século XX que iniciaria minhas reflexões sobre uma teoria nova e a primeira tentativa foi a da minha tese de doutorado, sobre o equilíbrio do capital (editada pela Fundação Getúlio Vargas).

Meu estímulo cresceu na década seguinte ao ler as concepções de Gusdorf (já referidas); o que durante toda a década de 70 reuni como elementos, ensejar-me-ia, finalmente, completar meus estudos na década de 80.

Em 1987, a convite da Universidade de Sevilha, na Espanha, pela primeira vez fiz a minha exposição completa da `Teoria das Funções Sistemáticas` e logo a seguir na Universidade de Málaga, no mesmo país.

Tal teoria foi a que me ensejou a visão geral que eu necessitava para erguer o que aspirava como algo de visão ampla e foi o passo que dei a seguir.

Assim, do fruto de todos esses esforços, em 1992, editei o meu livro Teoria Geral do Conhecimento Contábil e, a seguir, uma série de artigos, todos evidenciando as diretrizes novas que eu propunha para uma nova corrente cientifica e que seria a do Neopatrimonialismo.

Como afirmei, nenhum de nós é autor de qualquer verdade, cabendo-nos, apenas, o mérito de encontra-la e o de disciplinar os caminhos para que ela seja entendida, tão como ampliados os recursos para o entendimento.

O que fiz foi admitir que:

1 – Existem relações lógicas perfeitamente identificáveis e que determinam o fenômeno patrimonial:

2 – Tais relações lógicas se grupam sob três grandes aspectos (Essenciais, Dimensionais e Ambientais); ou seja, as da natureza, da percepção plena e as do entorno;

3 – As funções dos meios patrimoniais (exercício da riqueza acionada por agentes de seu entorno) se cumprem em sistemas;

4 – Os sistemas são autônomos (cada um supre sua necessidade) e suas funções patrimoniais características se exercem concomitantemente;

5 – Os sistemas vivem em interação, ou seja, um influindo sobre o outro;

6 – Sete são os sistemas identificáveis;

7 – Básicos são os sistemas da Liquidez, Resultabilidade, Estabilidade e Economicidade;

8 – Auxiliares são os sistemas da produtividade e da Invulnerabilidade;

9 – Complementar é o sistema da Elasticidade;

10 – A metodologia contábil deve admitir não só o acontecido e o por acontecer, mas, relevantemente `o porque acontece`;

11 – A finalidade da riqueza deve ser normalmente a Prosperidade Individual, associada àquela Social.

Admitidas essas premissas as minhas reflexões centralizaram-se na busca de consolidar os conceitos e encontrar o que me pareciam ser os AXIOMAS a serem enunciados.

7. AXIOMAS DA TEORIA DAS FUNÇÕES

A busca das verdades inequívocas das quais outras se derivariam foi a minha preocupação, ou seja, os teoremas deveriam partir de uma base sólida.

Como a teoria é um conjunto de teoremas, o ponto de partida precisaria ser encontrado e o fui buscar na doutrina já enunciada por ilustres mestres e no que me pareceu ser necessário destacar.

Não se tratava de inovar, mas, de reunir verdades assim reconhecidas universalmente e as que por minha pesquisa eu as admitia como de idêntica aceitação.

Reconheci como importantes e a princípio os seguintes:

AXIOMA DO MOVIMENTO

AXIOMA DA TRANSFORMAÇÃO

AXIOMA DA ASSIMILAÇÃO FUNCIONAL AXIOMA DA EFICÁCIA

AXIOMA DA PROSPERIDADE

Escolhi, desta forma, a ótica dinâmica, entendendo que a riqueza não se movimenta por si mesma, que o objetivo é satisfazer a necessidade, buscando, naturalmente a eficácia e pela continuidade desta a prosperidade; como decorrência do próprio método que elegi admiti que deve existir uma perfeita interação entre as células sociais e os seus entornos, dentro de uma ótica de recíproco interesse.

Ao desenvolver minha teoria sob esses aspectos procurei fundamentalmente a visão holística, sem desprezar, todavia, tudo o que me pareceu enriquecer o desenvolvimento da matéria, mesmo que as idéias fossem as assimiladas de pensadores de outras correntes de pensamentos.

Não aceito como método de construção de idéias o partir da destruição das conquistas já feitas para entender que tudo podemos de novo fazer desconhecendo o que já está conquistado com sabedoria.

8. TEOREMAS E MODELOS CIENTÍFICOS DO NEOPATRIMONIALISMO

Uma teoria é feita de teoremas e estes são os elementos que as constroem.

O que procurei fazer com a Teoria Geral do Conhecimento Contábil foi reunir todas as verdades que cataloguei de muitos ilustres autores, especialmente dos que me orientaram pessoalmente como Masi, D´Áuria e Lopes Amorim, a estas acrescentando as minhas reflexões e estabelecendo redação própria às mesmas.

Parti de uma estrutura de relações lógicas e de uma organização em sistemas, mais preocupado com `o que faz acontecer o fenômeno patrimonial` do que mesmo com o acontecido e o por acontecer.

Não foram os componentes do patrimônio (que os denominei de meios patrimoniais) os que formaram objeto de minha preocupação, mas, sim as `funções` ou `exercício dos mesmos` em face das necessidades e que tomei como gênese.

Tudo o que existe inteligentemente existindo está organizado em sistemas, desde o micro ao macrocosmos e esta filosofia que D´Áuria já pregara foi a que me despertou a curiosidade para o desenvolvimento de minha teoria.

Se a minha doutrina diferiu daquela do mestre quanto ao método aplicado e o objeto tomado como base, todavia, não discrepou quanto à finalidade.

Reconheço que o neopatrimonialismo se inspirou na visão dos primeiros conceitos da Contabilidade Pura embora aquele tivesse desenvolvido o seu pilar em axiomas já reconhecidos pela quase totalidade de nossos doutrinadores (ainda que não enunciados como tais).

Não busquei uma inovação, mas, uma reorganização, uma construção que pudesse ser apta para a produção de uma Teoria Geral do Conhecimento Contábil.

A redação dos teoremas que formulei, entretanto, assim como a organização dos mesmos, esta, sim, foi uma conquista que a minha teoria formulou e que tão bem o Prof. Valério Nepomuceno soube reconhecer de pronto em seus magníficos trabalhos.

9. AMPLIAÇÕES DO MÉTODO E O VALOR SOCIAL DA CONTABILIDADE

Quando estive com o meu mestre Masi, em Bolonha, na década de 70 do século XX, ele me alertou para a continuidade de um patrimonialismo que pudesse romper o casulo da individualidade empresarial e institucional, ampliando o método de estudos.

Explicou-me que nunca se afastara da visão social de nosso conhecimento, mas que tal havia sido a sua preocupação em construir um patrimonialismo científico que não tivera tempo de amplia-lo, como deveras o havia desejado, mas que não mais tinha tempo de faze-lo com a grandeza exigível (somava aquele gênio mais de 80 anos).

Ressaltou que a não ser uns poucos intelectuais não tinha encontrado na Itália o apoio desejável porque a política universitária havia-se definido mais em favor das doutrinas de Zappa.

Bem entendi os problemas acenados por Masi e que deveras ocorriam nas esferas das Universidades italianas, onde nem sempre as idéias floresceram com a propriedade desejável por alguns gênios (basta lembrar Galileu Galilei).

Compreendi, sempre, também que entre Ceccherelli, Zappa e Masi, como discípulos de Besta, não existiam diferenças apreciáveis no desenvolver a matéria doutrinária contábil, mas, apenas, as de ótica em métodos de faze-lo.

A formulação de uma teoria científica, preocupada deveras com a verdade, exige compreensão de tudo o que sobre o assunto existe e tanto o aziendalismo quanto o patrimonialismo de Masi trouxeram-se, cada um ao seu feitio, grandes contribuições.

Idéias importantes e posteriores, entretanto, me impulsionaram a produzir a teoria mãe do que seria um neopatrimonialismo científico e estas foram a mim oferecidas, no início da década de 80 do século XX, pelo Prof. Dr. Manuel Ortigueira Bouzada, da Universidade de Sevilha, na Espanha.

Em diálogos sucessivos e pessoais entendemos que a Contabilidade, como ciência da riqueza das células sociais, era o caminho direto para oferecer a prosperidade social.

Ou seja, partimos do princípio que se as células são sadias o organismo também o é.

Logo, a prosperidade da célula sendo responsabilidade da Contabilidade, é esta que oferece o caminho para que toda a sociedade seja igualmente próspera.

Foi o Prof. Bouzada quem me alertou para esta ótica e a ele atribuo o mérito de acelerar em mim a vontade de erguer uma teoria cujo axioma de epílogo seria este da prosperidade social.

O neopatrimonialismo pareceu-me, pois, o caminho para as mudanças da metodologia e o ensejo de tornar holística a nossa disciplina.

10. A CORRENTE NEOPATRIMONIALISTA NO BRASIL E NO ÂMBITO INTERNACIONAL

A corrente neopatrimonialista no Brasil iniciou-se na última década do século XX, com a reunião de intelectuais da Contabilidade, em Minas Gerais, inicialmente constituindo um pequeno grupo composto pelos professores Valério Nepomuceno, Marco Antônio Amaral Pires e Pedro Onofre Fernandes, logo a seguir agregando-se ao mesmo outros dois valorosos mestres Alexandre Bossi e Nourival Resende, todos professores universitários.

Diversos escritos foram produzidos pelos componentes da escola que se iniciava, ampliando o que eu escrevera em dois livros que havia editado sobre a Teoria.

A matéria transcendeu as fronteiras do Brasil e as Universidades de Buenos Aires, através do prof. Carlos Luis Garcia Casella e a de Bucaramanga, do Prof. Samuel Alberto Mantilla Blanco, produziram artigos e estudos sobre a nossa teoria.

A Universidade de Málaga, por iniciativa do prof. Jose Maria Requena Rodriguez, produziu um curso de metodologia científica da Contabilidade que teve por matéria a nossa doutrina e a de Moisés Garcia (Teoria Circulatória).

Pouco depois o Ministério da Economia e Fazenda, da Espanha editava nosso livro da Teoria Geral do Conhecimento Contábil e as revistas de Portugal acompanhavam em edições de artigos a difusão destas mesmas idéias.

Alguns cursos de mestrado e de bacharelado começaram, na Europa e no Brasil a absorver as nossas doutrinas neopatrimonialistas (Universidade do Minho, Universidade de Aveiro, Universidade do Grande Rio, Universidade de Unijui, Fundação Visconde de Cairú, Centro Universitário da UNA e outros).

A corrente deveria, todavia, ampliar-se consideravelmente quando lançada na Internet começou a formar núcleos em diversos Estados, principalmente Bahia e Rio Grande do Sul.

Hoje, a corrente se aproxima de duas centenas de valorosos componentes e conta com outras tantas de seguidores que estudam a matéria.

O Instituto de Pesquisas Augusto Tomelin, do Centro Universitário da UNA tomou por base a teoria neopatrimonialista e tem editado Boletins de centenas de páginas que divulgam as investigações cientificas da nova doutrina.

Idêntica atitude adotou o Centro de Estudos Superiores de Contabilidade, do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais, não só incentivando Projetos Neopatrimonialistas como mantendo em sua biblioteca matérias catalogadas sobre o mesmo.

A Academia Brasileira de Ciências Contábeis realiza, em colaboração com os Conselhos e com o Conselho Federal de Contabilidade, um movimento internacional, o do PROLATINO, que já está no quinto, este o de Recife.

O Centro de Estudos de História da Contabilidade, de Portugal, em seus Boletins, com a colaboração efetiva do prof. Manuel Benavente vem difundindo matéria neopatrimonialista, assim como as revistas especializadas daquele país irmão.

Valorosas colaborações em trabalhos, livros, artigos, notas, editoriais, teses, moções, aulas, estudos, referências, palestras e escritos de diversas naturezas como os dos professores Valério Nepomuceno, César Eduardo Stevens Kroetz, Yumara Lúcia de Vasconcelos, Werno Herckert, Ligia Pimenta, Pedro Onofre Fernandes, Marco Antônio do Amaral Pires, Alexandre Bossi, Nourival Resende Filho, Amilton Ribeiro, Genival Ferreira, Jassuipe Morais, João Lopes da Cruz Neto, José Antônio Moreira Icó, José Paulo Cosenza, Mariano Yoshitake, Mirando Ribeiro, Paulo Roberto Santanna, Alberto Franqueira Cabral, Márcia Prímola de Faria, Tânia Azevedo, Fernando Vilas Boas, Isabel Figueiredo, Cleber do Carmo Antunes, Maria Albanisa Correia Marinho, Walmir da Rocha Melges, Janaina Ferreira Marques de Melo, Roberto Miranda Pimentel Fully, Dílson Cerqueira da Silva, José Matheus Filho, Dércio Antônio dos Santos Venâncio, Aurelina Viana, Antônio Carlos Ribeiro da Silva, Adriana R. Rangel, Clayton Dias Pereira, Matosinhos Mateus de Andrade, Eusélia Vieira, Lauri Basso (todos estes no Brasil), Amândio Tavares, Manuel Campos, Fernando Guimarães, Manuel Benavente, José Luis Lopes Marques (estes em Portugal), Samuel Alberto Mantilla Blanco, Régulo Millán Puentes, José Joaquim Maldonado (estes na Colômbia), Hector Lazarini, Eugênio Helman, Carlos Luis Casella Garcia, Eduardo Scarano (estes na Argentina) com trabalhos em magistério e muitos com artigos e referências publicados, enriquecem a doutrina do neopatrimonialismo.

Existe hoje, em páginas da Internet, difusão plena do Neopatrimonialismo nas Américas e na Europa, livros estão sendo editados e muitos artigos e teses universitárias, além de pesquisas que se empreendem constantemente ampliam o conhecimento desta corrente de pensamentos doutrinários que se agrega à História Científica da Contabilidade.

11. O FUTURO E O NEOPATRIMONIALISMO

A julgar pela difusão efetiva do neopatrimonialismo, hoje empreendida em diversos países, pelos escritos, pelos seguidores, não há dúvida sobre a vitória deste movimento científico, o maior que já se empreendeu no Brasil e de origem nitidamente latina.

O futuro deste movimento está assegurado pela qualidade de seus seguidores, pela legitimidade como aceitam a busca da verdade como meta e pela ambição que demonstram pelo progresso da Contabilidade em bases holísticas e nitidamente científicas.

*Conferência de Encerramento do PROLATINO V, em 17 de agosto de 2.001 na cidade de Recife




COMPARTILHAR

Deixe uma resposta

*Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Leia também

Receba gratuitamente nosso informativo de artigos e notícias em seu e-mail