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PUBLICADO 5 meses ATRÁS.

Greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias em maio, fez o mercado reduzir projeção de expansão do PIB

Empresários estão aflitos com a trajetória da economia no curto prazo. Depois da greve dos caminhoneiros, qualquer surpresa adicional no cenário pode colocar em risco a retomada dos negócios.

Durante um evento do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) ontem em São Paulo, com a presença do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, executivos mostraram preocupação e questionaram o governo a respeito da trajetória do câmbio, das reformas fiscais e das consequências da negociação feita com os caminhoneiros. Uma fonte do setor industrial, que preferiu não se identificar, afirmou, após a palestra do ministro, que os últimos acontecimentos geraram muitas incertezas sobre o potencial de recuperação das empresas neste ano e sobre a capacidade do governo de contornar crises.

A avaliação, no entanto, é que o faturamento das companhias cresça no fechamento de 2018, em relação ao ano passado, mas muito por conta da base de comparação fraca. “O ano de 2017 foi muito ruim”, afirmou.“A expectativa [com relação à economia e ao faturamento das empresas] é de crescimento. Mas qual é a garantia de que não haverá surpresas daqui até o final do ano, que coloquem em risco a recuperação”, completou.

A fonte ressaltou que a mudança constante de cenário cria obstáculos para o planejamento das empresas. “É muito cansativo abrir o jornal e ler uma coisa diferente a cada semana. Isso dificulta o planejamento”, pontuou, ressaltando que os novos projetos de investimento da sua companhia seguem paralisados.Durante a palestra, Guardia destacou que os efeitos da greve dos caminhoneiros são “transitórios”. “É inegável que a greve terá um efeito no curto prazo, tanto no que diz respeito ao nível de preço, quanto no que diz respeito ao impacto na economia como crescimento – setores foram afetados, a economia parou de funcionar, teve escassez de produtos, isso refletiu em preços mais elevados nos supermercados.”

No entanto, Guardia reforçou que esses impactos serão diluídos ao longo dos meses. “Tanto quanto quando a gente olha do lado da inflação, quanto quando a gente olha do lado do crescimento, esses efeitos são transitórios. Nós não entendemos como um choque permanente em preços ou na capacidade de crescimento da economia”, frisou o ministro.

Um empresário da plateia chegou a questionar Guardia se há vontade política, por parte do governo federal, de renegociar o acordo com os caminhoneiros, “tendo em vista suas consequências insustentáveis”. Sobre isso, o ministro comentou que as condições em que o acordo foi firmado foram muito adversas – como a paralisação da economia e as dificuldades de identificar as lideranças do movimento – o que acabou resultando, dentre outras medidas, no tabelamento do frete que, em sua avaliação, será ruim para os próprios caminhoneiros. “O tabelamento pode acabar prejudicando aqueles que seriam beneficiados. Nós não temos como revogar a lei da oferta e da demanda por decreto”, disse. “Mas eu acho que existe entre os caminhoneiros uma percepção maior de que a tabela do frete pode ser negativa para a própria atividade dos caminhoneiros”, comentou.

Em relação à economia brasileira, o ministro disse que a recuperação passa por todos os setores e conta com uma retomada dos investimentos, a qual pode ser observada no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, durante o primeiro trimestre Volatilidade As fortes oscilações cambiais também foram temas recorrentes de questionamentos dos empresários. Em relação a isso, Guardia explicou que a situação do Brasil é diferente do período eleitoral de 2002, quando o dólar também disparou em relação ao real.

Ele lembrou que, naquele momento, a dívida pública do Brasil era “dolarizada”, mas que, hoje, somos credores em dólar. As reservas internacionais do País, disse Guardia, alcançam US$ 380 bilhões, enquanto o colchão de liquidez do Tesouro Nacional é de R$ 575 bilhões. “Temos instrumentos poderosos para atuar em momentos de alta volatilidade”, afirmou o ministro.A fonte do setor industrial elogiou o esclarecimento do ministro, tendo em vista que as oscilações da moeda também preocupam a sua empresa. Para ele, o atual ministro da Fazenda tem um perfil técnico, o que passa confiança. No entanto, o problema é que, neste momento, “Brasília está mais preocupada com as eleições”.Guardia listou ainda que o governo tem uma agenda para cumprir até o final do ano, que inclui mudanças da PIS/Cofins. Segundo ele, será impossível fazer uma reforma tributária ampla neste momento. Para Guardia, esta depende de reformas fiscais, como a da Previdência Social.

Fonte – DCI Por Paula Salati • SÃO PAULO




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