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PUBLICADO 4 meses ATRÁS.

Falta trabalho para 27,7 milhões de habitantes no Brasil, afirma IBGE

No Brasil, não há trabalho para 27,7 milhões de habitantes. Em 2014, no início da crise econômica, esse contingente era de 16 milhões de pessoas, o que significa que, em quatro anos, o número de subutilizados aumentou em 11,7 milhões, ou seja, em 73%.

Esses dados são referentes ao primeiro trimestre de 2014 e de 2018. Além disso, 3 milhões de pessoas estão procurando emprego há mais de dois anos, enquanto a renda de quem está empregado está estagnada em relação ao primeiro e ao último trimestre do ano passado. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Não está havendo melhora no mercado de trabalho”, ressalta o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. “O percentual de pessoas procurando trabalho há mais de dois anos aumentou muito. Essa expansão do tempo de duração da desocupação está muito relacionado com o avanço do desalento no Brasil [aqueles que desistiram de procurar trabalho]”, considera Azeredo, do IBGE.

No primeiro trimestre de 2018, o número de desalentados chegou a 4,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica, iniciada em 2012. O especialista do IBGE informa que essa quantidade representa um avanço de 194% em relação a 2014, quando havia 1,6 milhão de desalentados no País.

O grupo dos que desistiram de procurar trabalho, por razões diversas, estão inclusos no que o IBGE denomina como “força de trabalho potencial”. Esta, por sua vez, compõe o grupo da mão de obra subutilizada do País, ao lado dos desempregados e dos subocupados por insuficiência de horas (trabalham menos do que gostariam).

Azeredo detalha que a população subocupada passou de 4,6 milhões no primeiro trimestre de 2014, para 6,2 milhões em igual período deste ano, alta de 36% no período.

Já o contingente de desempregados passou de 7 milhões para 13,7 milhões, na mesma base de comparação, expansão de 94%. Em relação ao último trimestre de 2017, quando a taxa de desemprego chegou a 11,8%, a desocupação cresceu 1,3 pontos percentuais (acréscimo de 1,378 milhões de pessoas), para 13,1%. Por outro lado, o desemprego caiu na comparação com os primeiros três meses de 2017 (13,7%). No entanto, parte dessa queda é explicada pelo avanço da força de trabalho subutilizada no Brasil, explica Azeredo.

Ocupação
Outros dados mostram ainda que, entre janeiro e março de 2018, deste ano, 408 mil pessoas perderam o emprego com carteira assinada, na comparação com o último trimestre de 2017. O trabalho informal também recuou, ao desocupar 402 mil pessoas no período.

As pessoas que estão empregadas, por sua vez, não estão vendo a sua renda crescer. Segundo o IBGE, o rendimento médio real de todos os trabalhos habitualmente recebido por mês chegou a R$ 2.169 no primeiro trimestre de 2018, o que significou estabilidade tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior (R$ 2.173), como na comparação a igual trimestre de 2017 (R$ 2.169). Houve estabilidade estatística do rendimento médio em todas as regiões, nesses dois tipos de comparação.

O professor de economia da PUC-SP, Antônio Carlos Alves dos Santos, avalia que a fraqueza do mercado de trabalho está muito relacionado ao baixo nível dos investimentos públicos e privados. “Como o investimento público não tem como se recuperar, dado o elevado déficit fiscal do País, ficamos dependentes dos aportes do setor privado, que também não serão retomados com força neste ano por conta das incertezas das eleições” , diz Santos. “Ou seja, infelizmente, não há nada no cenário que aponte que o mercado de trabalho terá melhora neste ano”, acrescenta o professor.

De toda a série do IBGE, o Nordeste é a região que apresenta as maiores taxas de desocupação, tendo marcado, no primeiro trimestre de 2018, uma taxa de 15,9%. A região Sul teve a menor (8,4%). Frente ao quarto trimestre de 2017, a taxa de desocupação aumentou em todas as regiões. O Nordeste teve a variação mais alta (2,1 p.p.) e o Sul, a menor (de 0,7 p.p.). Na comparação anual, este indicador recuou nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste e ficou estável no Nordeste e Sudeste.

As unidades da federação com as maiores taxas de desocupação, no primeiro trimestre de 2018, foram Amapá (21,5), Bahia (17,9%) Pernambuco (17,7%), Alagoas (17,7%) e Maranhão (15,6%). As menores taxas de desocupação foram observadas em Santa Catarina (6,5%) Mato Grosso do Sul (8,4%), Rio Grande do Sul (8,5%) e Mato Grosso (9,3%).

Raça e gênero
A taxa de desocupação, no primeiro trimestre de 2018, dos que se declararam brancos (10,5%) ficou abaixo da média nacional (13,1%), enquanto a dos pretos (16,0%) e a dos pardos (15,1%) ficou acima. O desemprego entre as mulheres (15,0%) também está maior do que o dos homens (11,6%). Esse comportamento foi observado nas cinco grandes regiões brasileiras, destacou o IBGE, na divulgação de ontem.

 

Fonte – DCI Por Paula Salati




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