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PUBLICADO 1 semana ATRÁS.

Desvalorização de bitcoin assusta investidores em todo o mundo

São Paulo — Poucas moedas na história do capitalismo — provavelmente nenhuma — tiveram uma ascensão e queda tão vertiginosas quanto o bitcoin. Em janeiro de 2017, a criptomoeda valia R$ 3 mil no mercado brasileiro. No fim daquele ano, quando a euforia atraiu milhões de investidores, sua cotação se aproximou dos R$ 65 mil. Na terça-feira (8/1), estava sendo negociada a R$ 14,9 mil. Em todo o ano de 2018, o bitcoin acumulou perdas de 73% após autoridades americanas passarem a investigar supostas fraudes e irregularidades do setor. O que estaria acontecendo com a moeda virtual mais badalada do mundo?

Diante de um declínio tão rápido, muitos investidores começaram a questionar o futuro da moeda. Ela perdeu força? A bolha estourou? O desastre só não foi maior para quem apostou em estratégias de gestão de criptoativos, operação que consegue proteger os investimentos de seus clientes dessa forte desvalorização. “Em momentos de queda e extrema volatilidade, é possível ganhar dinheiro ou, neste caso, evitar a perda, atuando em operações de day trade com vendas a preços mais altos e recompras com valores mais baixos”, diz Diego Velasques, CEO da Juno Capital, especializada em moedas virtuais.

Além da crise de credibilidade, o bitcoin sofre pela falta de fundamento enquanto moeda. Essa é a avaliação de André Perfeito, economista-chefe da corretora Spinelli. Perfeito não vê o bitcoin como moeda. Para ele, trata-se de um meio de pagamento, validado por meio do processo de mineração e pela formação de blocos, que “não é necessariamente seis mil dólares pela unidade”, explica o analista.

Na sua opinião, o preço do bitcoin e das demais criptomoedas tende a convergir para algo mais próximo ao seu custo de produção, oscilando pouco a partir de então. O economista-chefe da Spinelli não acha que o bitcoin vai acabar, mas acredita que o seu preço vai estacionar em algum patamar e aí se estabilizar.

Apesar disso, Perfeito afirma que essas moedas vieram para ficar. De acordo com o especialista, elas vão permanecer como meio de pagamento, funcionando como maquininhas de cartão de crédito, por exemplo.

Outro fator que deve garantir a sobrevivência do bitcoin é o blockchain, tecnologia que dá sustentação às criptomoedas e que está sendo incorporada pela indústria financeira rapidamente. Mas não são apenas os bancos, corretoras e fintechs que estão investindo na inovação. Empresas como Microsoft, Amazon e IBM também se estruturam para incorporar a nova tecnologia, seja por meio de soluções próprias, seja até como mantenedoras da plataforma blockchain.

Apesar dos percalços, muitos analistas veem boas perspectivas no horizonte das moedas virtuais. Uma grande oportunidade para os investidores pode ser proporcionada pela Nasdaq, a segunda maior bolsa de valores do mundo, que tem planos de lançar uma bolsa de futuros de bitcoin no primeiro trimestre de 2019.

Para muitos especialistas, 2019 será o ano em que o bitcoin avançará no cenário de investimento institucional, ou seja, aquele que é regulado pelas autoridades e que faz parte do jogo dos grandes operadores do mercado.

A Intercontinental Exchance (ICE), empresa controladora da Bolsa de Nova York, pretende lançar também no começo do ano uma plataforma para pagamentos com criptoativos. A iniciativa, porém, ainda depende de aprovação da Comissão de Comércio de Futuros dos Estados Unidos (CFTC, na sigla em inglês) e a expectativa é de que o aval saia nas próximas semanas.

Se isso de fato acontecer, a previsão dos especialistas é de que as moedas virtuais terão uma nova disparada. Ela dificilmente será tão forte quanto a de 2017, mas deverá oferecer aos investidores a possibilidade de recuperar parte dos prejuízos gerados pela desvalorização brutal dos últimos meses.

Fonte: Correio Braziliense




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