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PUBLICADO 3 semanas ATRÁS.

Cartão de crédito deverá considerar o câmbio do dia em que compra for feita

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou novas medidas para os cartões usados no exterior, obrigando os bancos, por exemplo, a oferecer ao cidadão que saiba em reais quanto ele gastou no cartão de crédito em cada compra, em tempo real. Além disso, o banco também será obrigado a converter o câmbio para reais da data de cada gasto. Essas novas regras devem entrar em vigor a partir de março de 2020.

Na avaliação do presidente do BC, essa medida aumenta a previsibilidade para os clientes em relação ao valor a ser pago, evitando o efeito da variação da cotação da moeda estrangeira entre o dia do gasto e o dia de pagamento da fatura, que costuma ter valor diferente ao do fechamento do boleto do cartão. Normalmente, há um ajuste do câmbio na fatura seguinte. “Isso será obrigatório com essa regra, mas é verdade que muitos bancos já oferecem esse serviço ao consumidor, que pode negociar com a instituição”, destacou.

O anúncio foi feito durante a apresentação de Goldfajn ao fazer o balanço do segundo ano da agenda BC+, que totalizou 68 ações, sendo 41 concluídas entre 2017 e 2018 e outras 27 em andamento, como o projeto de lei de criação do cadastro positivo, que não conseguiu ainda ser aprovado pela Câmara dos Deputados, mas tramita no Congresso desde 2011.

Durante a apresentação, o ministro destacou que o custo do crédito vem caindo nesse período em que ele esteve à frente do BC, de forma gradual, mas é preciso que essa agenda tenha continuidade para que os juros tenham uma redução mais sustentada. Conforme os dados apresentados por Goldfajn, o custo médio do crédito para as famílias, por exemplo, passou de 52,3% ao ano, em fevereiro de 2017, para 44,5% ao ano, em setembro de 2018. O spread médio

Na avaliação dele, o novo governo deverá dar continuidade nessa agenda BC , que vem estimulando o aumento da competição no mercado, para que essa queda do custo seja mais duradoura. Contudo, as previsões da taxa básica de juros (Selic), que atingiu a mínima histórica de 6,5% ao ano, apontarem para um aumento a partir de 2019, pois será um ano bastante desafiador do ponto de vista fiscal para o novo governo. “Não acho que a agenda vai se deteriorar (no novo governo) e essa queda do custo do crédito vai começar de forma mais sustentável e continuará e não acho que a taxa básica vai influenciar o contrário. Se a gente conseguir manter a Selic em um dígito ao longo do tempo, acredito que o custo do crédito vai continuar cindo”, apostou Goldfajn.

“Bons olhos”

O chefe do BC evitou revelar quais os motivos pessoais que o levaram a recusar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de permanecer no cargo. Contudo, ele elogiou o novo governo, e afirmou vê-lo “com bons olhos”. “As razões são pessoais e não vou estender quais. Estou muito satisfeito com o trabalho e a equipe do Banco Central e vejo com bons olhos o novo governo e as medidas que estão sendo pensadas. A parte institucional está indo bem”, afirmou.

O ministro adiantou que deverá continuar chefiando a instituição até março de 2019, porque que o substituto, o economista Roberto OIiveira Campos Neto, deverá ser sabatinado pelo Senado, provavelmente, em fevereiro, quando será iniciada a nova legislatura do Congresso.

Goldfajn evitou comentar sobre a possibilidade cogitada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, de reduzir as reservas internacionais caso o dólar atinja R$ 5 e muito menos sobre o risco dessa operação. “A política do Banco central vai continuar sendo a mesma política e as questões que podem ocorrer ao longo do tempo, acredito que tudo permanece de forma”, disse. “Não vejo grandes mudanças nessas áreas”, completou.

Fonte: Correio Braziliense




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