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Classe Contábil
PUBLICADO 4 meses ATRÁS.

Brasil fecha primeiro semestre com rombo de US$ 3,5 bi em conta externa

O Brasil fechou o primeiro semestre com um rombo de US$ 3,586 bilhões nas contas externas, provocado, especialmente, por um aumento mais acelerado das importações do que das exportações, com relação ao ano passado.

Durante os primeiros seis meses de 2017, as vendas externas ajudaram o País a registrar um superávit de US$ 584 milhões, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados ontem.

Na avaliação de especialistas, as importações devem continuar avançando em um ritmo maior que as exportações, porém a entrada de investimento direto, apesar de estar menor do que em 2017, cobrirá com “folga” o déficit em conta corrente do País.

No primeiro semestre, a balança comercial (diferença entre exportação e importação) registrou um superávit de US$ 27,4 bilhões, retração de 21,3% em relação a igual período do ano passado, quando o resultado ficou positivo em US$ 34,9 bilhões.

Enquanto as vendas externas cresceram 5,5%, para US$ 113,3 bilhões, as compras nacionais saltaram 18,4% no mesmo período, alcançando US$ 85,8 bilhões.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, diz que esse movimento de expansão das importações já era esperado com a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo ele, apesar da expectativa de crescimento econômico ter recuado de 2,5% para 1,5% depois de maio, o País não deve interromper as compras. “Passada a greve dos caminhoneiros, a atividade econômica tem retornado ao ritmo normal de antes. Se um candidato reformista ganhar força nas eleições, é bem possível que as compras avancem mais”, comenta o especialista do IMT.

A professora de economia da ESPM, Cristina Helena, reforça, inclusive, que a greve impactou bastante os dados recentes de exportações. Ela avalia que o processo de desindustrialização faz com que seja praticamente impossível que o País deixe de importar insumo para a produção e como bens para o consumo.

“Esse é um fator mais estrutural da nossa economia. Já do lado conjuntural, eu diria que o ritmo das importações pode diminuir caso se realize um aperto fiscal no ano que vem”, complementa a professora.

De qualquer forma, Balistiero afirma que o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que o suficiente para cobrir o déficit em conta corrente. A expectativa do mercado financeiro é de que ingressem US$ 67,5 bilhões em IDP, ao passo que a projeção de déficit para a balança de pagamentos é de US$ 20 bilhões. Em 2017, o rombo na conta corrente brasileira foi de US$ 9,7 bilhões.

Apesar desse cenário positivo, o investimento direto recuou 17,5% no primeiro semestre, para US$ 29,8 bilhões. Segundo Balistiero, esse movimento tem a ver com um cenário de incerteza no mercado externo. Na avaliação dele, os países aguardam mais movimentos da política econômica do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, para direcionar investimentos.

Com a política fiscal expansionista e o protecionismo de Trump, a perspectiva é de que o Federal Reserve (Fed) – Banco Central norte-americano – possa continuar elevando os juros, atraindo, portanto, mais capital para o país.

Em julho

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse ontem que, após a entrada de IDP de US$ 6,5 bilhões em junho, esse valor deve cair neste mês. Até 24 de julho, os ingressos de investimento direto somaram US$ 2,8 bilhões, e a estimativa do BC é a de que a entrada de investimentos chegue a US$ 4 bilhões no mês. “Se isso ocorrer, a entrada de IDP será da mesma magnitude de julho do ano passado”, afirmou.

Segundo Rocha o saldo negativo na conta de viagens internacionais é de US$ 946 milhões até o dia 24. Isso decorre de gastos no exterior de US$ 1,2 bilhão no mês e receitas de US$ 312 milhões. Já as despesas com viagens internacionais cresceram 10,2% até junho, contra igual período de 2017.

Fonte: DCI




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