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PUBLICADO 2 meses ATRÁS.

Para ajustar as contas, governadores deverão buscar mais capital privado

Os governadores eleitos em outubro terão que lidar com uma gama de dificuldades que são similares em todos os estados brasileiros, como a necessidade de ajuste fiscal e a busca por aumento de suas receitas.

Com o principal meio de arrecadação dos governos, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), prejudicado pela lenta recuperação econômica do País, os próximos governadores deverão tomar medidas que atraiam novas empresas e investidores.

“Será preciso atrair capital de fora, de empresas estrangeiras, para construir obras de infraestrutura. O mais importante para melhorar a situação dos estados é aprimorar a infraestrutura, com construção de ferrovias e metrôs, por exemplo”, explica o coordenador da Fundação Instituto de Administração (FIA), Paulo Feldmann.

O especialista defende a necessidade de facilitar a vinda de capital de fora e comenta que novas renegociações de dívidas com a União deverão ser realizadas.

“Alguns estados já estão altamente endividados, mas isso deverá ser negociado com o governo federal, uma vez que se faz necessária a criação de uma dívida condicionada, unicamente para obras básicas”, diz ao DCI.

Feldmann acredita que a renegociação poderá ser usada logo nos primeiros meses do próximo ano como moeda de troca entre governadores e o futuro presidente para uma possível aprovação da reforma da previdência.

Uma ação mais extrema para controle das contas, segundo ele, envolveria a venda de empresas. “Em alguns estados, é possível vender algumas empresas e privatizar algumas atividades. É uma saída, muito polêmica, mas é uma saída possível”, conclui.

Para o coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, a privatização de serviços deverá ser uma medida essencial para alcançar o equilíbrio fiscal. “Os governadores irão precisar ter criatividade suficiente para atrair a iniciativa privada para setores como saúde e educação, que são muito custosos ao estado, e também priorizar a criação das Parcerias Público-Privadas (PPP) para infraestrutura ”, diz.

“O Brasil precisa aprender o que significa o mercado. Lidamos muito mal com o capital privado e temos uma dependência brutal do Estado. Os próximos governos deverão ilustrar a importância de reduzir o tamanho do Estado, para que ele possa, principalmente, ser mais eficiente”, conclui.

Funcionalismo público

Segundo levantamento da Folha de S. Paulo em parceria com o Datafolha, os estados considerados como mais eficientes do País são Santa Catarina e São Paulo, respectivamente, enquanto o Amapá ocupa a última colocação.

Porém, independentemente da posição de cada um, todos têm algo em comum: os altos gastos do funcionalismo público e seu impacto fiscal.

Segundo a professora de Economia da Fundação Álvares Penteado (FECAP), Juliana Inhasz, os governadores terão que interferir. “Teremos, principalmente, cortes nos cargos comissionados, além de uma diminuição nas contratações de servidores públicos”, diz.

Para a responsável pelo escritório da consultoria Oliver Wymann, Ana Carla Abrão Costa, uma redução das responsabilidades do Estado se faz necessária. “Ou mudamos o modelo de funcionamento da máquina pública ou vamos entrar em colapso”, afirma.

Fonte: DCI




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