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PUBLICADO 2 anos ATRÁS.

Número de empregados sem carteira e por conta própria aumenta em 2016

São Paulo – A quantidade de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado subiu 4,8% na comparação entre o último trimestre do ano passado e igual período de 2015, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem.

O levantamento, que é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também mostrou avanço de 3,4% no grupo de pessoas que trabalha por conta própria no mesmo período. Os dois aumentos estariam ligados à redução de 3,9% no número de funcionários com carteira assinada no setor privado. “As pessoas que perdem o emprego formal vão para a informalidade ou abrem seus negócios”, explicou Flávia Vinhaes, pesquisadora do IBGE.

No caso do trabalho sem carteira, também pesaria o fator sazonal. “Durante o último trimestre, temos a abertura de vagas relacionadas às festas de fim de ano, principalmente nos setores de comércio e serviços”, disse ela.

Com os crescimentos vistos no trimestre passado, a quantidade de funcionários sem carteira assinada chegou a 10,5 milhões de pessoas. Já o número de trabalhadores por conta própria alcançou 22,1 milhões de pessoas.

No sentido contrário, o grupo de funcionários com carteira assinada no setor privado contava com 34 milhões de pessoas entre outubro e dezembro de 2016. Professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Raffy indicou que as perdas no mercado formal devem continuar nos próximos meses.

Entretanto, essa trajetória poderia mudar no quarto trimestre de 2017. “Existe a expectativa de uma leva melhora do trabalho com carteira assinada para os últimos meses deste ano”, afirmou ele. Essa recuperação, seguiu Raffy, seria causada principalmente pelo fator sazonal, mas também por uma possível melhora da economia brasileira.

Mais otimismo

O aumento de 2,7% no número de desempregados ante o terceiro trimestre também chamou atenção. Isso porque o avanço foi acompanhado por alta de 0,5% da quantidade de ocupados, que chegou a 90,3 milhões nos últimos três meses do ano passado.

Na opinião de Raffy, há uma visão mais otimista no País sobre o futuro da economia, o que teria causado a expansão do grupo de pessoas que procuram emprego. O fator sazonal também foi citado, já que este favoreceria uma procura maior por trabalho no Brasil.

Nesse cenário, a taxa de desemprego chegou a 12% no último trimestre do ano passado. É o patamar mais elevado desde 2012, quando teve início a série histórica da Pnad.

Para Joelson Sampaio, professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), as perdas no mercado de trabalho devem continuar durante o primeiro semestre de 2017.

“A taxa deve crescer mais nos próximos meses como um reflexo da recessão dos últimos dois anos. Mas a provável retomada da economia e o avanço da reforma trabalhista devem fazer esse cenário melhorar no segundo semestre”, ponderou.

Raffy seguiu a mesma linha. De acordo com ele, a crise política e a elevada taxa de juros são os principais entraves para a recuperação do emprego, que pode começar na segunda metade deste ano.

Mais patrões

A Pnad ainda apontou um crescimento de 4,8% na quantidade de empregadores, na comparação com o último trimestre de 2015. As 4,1 milhões de pessoas que fazem parte dessa categoria são donas de negócios que contam com um ou mais funcionários.

Segundo Vinhaes, esse aumento, assim como o do conta própria, seria causado pelo recuo do emprego com carteira assinada. “É o caso do trabalhador formal que é demitido e usa o valor da rescisão para começar seu empreendimento.”

Já o número de empregados no setor público recuou 0,6% em um ano, para 11,250 milhões no final de 2016. Também foi registrado um avanço do mercado de trabalho em áreas relacionadas à melhora sazonal de fim de ano. Na comparação com o terceiro trimestre de 2016, houve alta de 3,3% na quantidade de empregados pelo comércio. Ainda subiram os setores de transporte (+2,5%) e de alimentação (3,1%).

Outras estatísticas do levantamento mostraram que os salários dos brasileiros empregados não tiveram perdas durante o último ano. O rendimento médio real dos trabalhadores (R$ 2.043) nos últimos três meses de 2016 ficou estável em relação ao trimestre anterior (R$ 2.026) e, também, em relação a igual trimestre de 2015 (R$ 2.033).




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