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Nova regra da CLT pode desequilibrar índice de confiança do cliente e lojista

São Paulo – Enquanto a confiança do varejista começa a dar sinais de melhora apoiado na previsão de mudanças nas atuais regras para o trabalho formal no País, os consumidores, ainda sem mensurar bem o impacto destas alterações, devem entrar em um período de maior receio para consumir.

“O excesso de informações conflitantes sobre o que muda com as alterações [na CLT] é o principal motivo para a desconfiança do consumidor, que tem medo de perder seu poder de compra ou precisar aumentar as fontes de rendimento com mais jornadas”, resume o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), e coordenador do núcleo de varejo da universidade, Cleber Santana.

Na visão do acadêmico, essa insegurança do brasileiro, somada ao maior otimismo do lojista, pode resultar em um desequilíbrio de estoques, além de prospecções equivocadas sobre o desempenho futuro. “Para o varejista a regra será positiva. Haverá mais flexibilidade para contratação, menos obrigações fiscais e burocracia para começar ou encerrar contratos e isso pode mascarar a realidade de crise no consumo que ainda vivemos”, diz.

A visão do acadêmico vem em linha com a do empresário José Carlos Maciel, dono de três lojas de vestuário no ABC Paulista, Grande São Paulo. Encabeçando as bandeiras Super Bem, Menina Moça e Bala de Gude o empresário conta que ainda está com os pés no chão. “Fui a uma convenção de empresários do varejo recentemente e havia um otimismo muito grande com o futuro. Mas eu acho cedo para comemorar”, conta.

Segundo ele, a loja Menina Moça, em Santo André, viu a rentabilidade recuar quase 40%. “Não há mudança que reverta essa queda de um dia para o outro. Vou ter que batalhar muito para voltar ao faturamento de 2014.”

Com os resultados enfraquecidos em função da crise, José Carlos conta que precisou diminuir em 25% o quadro de funcionário das três unidades, funções que não devem ser repostas imediatamente após a eventual aprovação da lei. “Não pretendo terceirizar esse atendimento, mas também não vou reabrir os postos antes de sentir que há realmente uma melhora nas vendas’, disse ele, lembrando que pretende continuar contratando CLT para manter “O atual nível de atendimento e baixa rotatividade de empregados.”

Direções opostas

Um exemplo desse descolamento da expectativa do consumidor e do varejista pode ser visto essa semana nos indicadores de confiança da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em abril, enquanto a confiança do lojista avançou 3,5 pontos na comparação com março, enquanto a percepção do varejista com a economia e compras caiu 3,1 pontos na mesma base de comparação. “Esse indicador tende a correrem em caminhos opostos nos próximos meses, até que o consumidor assimile que a reforma não vai ser tão ruim, ou o varejista perceba que a reforma não foi tão boa”, diz o professor da UFPA.

No Índice de Confiança do Comércio (Icom) divulgado ontem pela FGV, foi apurado, em março que a confiança atingiu 89,1 pontos, ante aos 85,6 pontos verificados em março. Com isso o indicador alcançou o maior nível desde outubro de 2014. “O resultado de abril consolida um novo patamar para o Icom, moderadamente baixo, mas já distante dos níveis de exceção do período francamente recessivo dos últimos anos”, avaliou Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota.

De acordo com o balanço divulgado ontem, houve melhora na confiança em oito dos 13 segmentos pesquisados em abril. O avanço do Índice foi determinado pela alta no Índice de Situação Atual, que subiu 6,8 pontos no mês (82,9 pontos). O indicador de Expectativas registrou pequena alta de 0,2 ponto, alcançando 95,8 pontos (veja mais no gráfico)

“Chama atenção a virtuosa redução da distância entre os indicadores que medem o grau de satisfação com a situação atual, com alta expressiva em abril, e os que captam expectativas em relação aos próximos meses. Apesar das boas novas, a incerteza em relação às perspectivas de retomada sustentada do crescimento pode ser ilustrada pela queda da confiança do consumidor no mês” completou Campelo.




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