O desafio de iniciar e manter seu próprio empreendimento

11/01/2016

Com as demissões provocadas pela estagnação da economia, o País a cada dia gera novos empreendedores. O Brasil que já era campeão na modalidade com 34 a cada 100 brasileiros adultos envolvidos em um negócio próprio, deve disparar na liderança. O problema é como começar.

As estatísticas revelam que empreender é o terceiro maior sonho dos brasileiros. O primeiro é ter a casa própria e o segundo, viajar.

Mas há uma classe de novos empreendedores que é formada por trabalhadores que juntaram o dinheiro da rescisão do contrato para montar um negócio próprio.

Sem planejamento, nem preparação específica, eles desejam apenas o sustento familiar em meio à crise. De acordo com especialistas, essa pessoa pode até acertar, mas são muitos os desafios.

Para o professor de Economia do IBE-FGV e diretor do Economies Consultoria Empresarial, Múcio Zacharias, as dificuldades para esse tipo de empreendedor são potencializadas pelas atribuições às quais esse profissional não está acostumado.

"O indivíduo passou uma vida inteira trabalhando com carteira assinada, rotina específica, salário fixo, benefícios e uma série de condições sistemáticas e agora ele se vê sozinho à frente de um negócio que depende exclusivamente dele. Esse tipo de mudança pode funcionar, mas é muito difícil para o novo empreendedor. É preciso cautela", afirma.

O professor doutor em economia do IBE-FGV, Paulo Ferreira Barbosa, especialista em empreendedorismo, explica que o primeiro desafio do novo empreendedor é superar a solidão.

Ele recomenda avaliar se está pronto para assumir a responsabilidade, se tem capacidade decisória principalmente sob pressão e habilidade em lidar com fornecedores, clientes, empregados e governo.

Um mundo não perfeito

"O mundo dos negócios não é perfeito. Sucesso passado não garante sucesso futuro e não existe nenhuma garantia de que a empresa dará certo. Além de muito trabalho e dedicação, o prêmio, às vezes, é sobrevivermos às crises", diz.

Para aumentar as chances de sobrevivência, o economista Paulo Ferreira dá uma dica. "Procure outras pessoas que compartilham da mesma ideia. Busque profissionais especializados naquilo que vai empreender que é o ideal para não começar no escuro. Sempre haverá alguém que já trabalhou na área, que tem experiência, cursos ou o conhecimento necessário para ajudar, principalmente na fase de maior dificuldade que é o planejamento e a implantação", sugere.

Ainda segundo o professor Paulo Barbosa, planejar adequadamente garante a redução dos riscos do negócio.

Sempre dedicar o tempo que for necessário nessa fase é fundamental, porque é nesse período que se adquire o conhecimento necessário para a solidez da iniciativa.

O novo empreendedor também precisa rever o conceito de trabalho. "A pessoa que está iniciando seu negócio não tem experiência, está formando carteira de clientes, desenvolvendo fornecedores, criando história e essas são fases que toda empresa tem que passar. Envolve investimento de dinheiro e de tempo, uma situação diferente da vivida anteriormente", destaca.

Para o especialista, o desafio da gestão empresarial é uma das provas mais difíceis. "Muitos empreendedores acreditam que para administrar uma empresa que comercializa bala só é necessário gostar de bala, mas não é assim. Capital de giro, contabilidade, pagamentos, compras, vendas, ativo, passivo são coisas para pensar, aprender e executar. A dimensão destes itens aumenta ou diminui de acordo com o tamanho do negócio, mas não dá para fugir disso", explica.

Outro fator necessário é analisar, durante esta etapa, a conjuntura econômica, pois dependendo do momento, ela tem grande influência sobre o crédito, os fornecedores e a capacidade de compra dos clientes. Além disso, é preciso verificar o valor que será investido no novo negócio e se preocupar em deixar recurso suficiente para o capital de giro.

 

Fonte: DCI

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