Na tentativa de enfrentar a crise, brasileiros empreendem mais

26/02/2016

SÃO PAULO - Empreender tem sido uma das principais alternativas escolhidas pelos brasileiros para driblar a crise econômica. De acordo com a edição 2015 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), patrocinada no Brasil pelo Sebrae, no ano passado o País alcançou seu recorde na taxa total de empreendedores. O índice sinaliza que dois em cada cinco indivíduos entre 18 e 64 anos têm um negócio ou estão envolvidos na criação de um, o que representa 39,3% da população dessa faixa etária. Entretanto, muitos fatores devem ser levados em conta quando se decide começar uma empresa. É necessário fazer um planejamento antes de colocar as ideias em prática.

Para entender melhor esse movimento, é importante explicar o que compõe esses 39,3%. A Taxa de Empreendedores Iniciais (TEA) representa 21 pontos porcentuais desse todo. Ela contabiliza os chamados empreendedores "nascentes", que estão envolvidos com um negócio do qual são proprietários, porém não pagaram qualquer tipo de remuneração por mais de três meses; e também os empreendedores "novos", que estão na mesma situação, mas com o diferencial de terem pago aos proprietários qualquer forma de remuneração por mais de três e menos de 42 meses. A Taxa de Empreendedores Estabelecidos equivale aos outros 18,9 pontos porcentuais e equivale aos proprietários de um negócio tido como consolidado, e que já tenham pago qualquer tipo de remuneração por mais de 42 meses (3 anos e meio).

De acordo com Alessandra de Andrade, coordenadora do centro de empreendedorismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), como a crise econômica está se prolongando mais do que o esperado, as pessoas veem no empreendedorismo uma forma de garantir sua renda mensal. "Como não está havendo uma retomada econômica, a única maneira de as pessoas terem renda é empreendendo", analisa. Segundo ela, as relações de trabalho com as empresas estão desgastadas, e o indivíduo se vê obrigado a se auto-empregar.

E é exatamente isso que a pesquisa GEM mostra. Dentro da TEA, 44% empreendem por necessidade. É a maior proporção registrada desde 2007, quando o índice alcançou os mesmos 44%. Por outro lado, o número de pessoas que empreende por oportunidade caiu consideravelmente; são 56%, a menor proporção desde 2007.

O presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, explica os motivos para essa mudança. "Em 2015, o percentual de empreendedores por necessidade aumentou em relação aos empreendedores por oportunidade muito provavelmente em função do aumento do desemprego, que vem sendo observado desde o ano passado. Como as pessoas que perderam o emprego necessitam se sustentar, acabam assumindo o risco de abrir o seu próprio negócio, saindo da zona de conforto em que se encontravam", diz. De acordo com pesquisa divulgada pelo Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) a partir de dados do IBGE, um brasileiro que perde o emprego demora cerca de 8 meses para voltar ao mercado de trabalho.

Paralelamente a isso, o ambiente legal para quem quer empreender tem se tornado mais atrativo, com a implementação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a criação do Simples Nacional e da figura do Microempreendedor Individual (MEI). "Isso tudo age no sentido de facilitar a formalização de empresas e de reduzir seus custos financeiros e operacionais com pagamento de impostos", diz Afif.

"É importante ainda que esses novos empresários, além de procurarem ofertar produtos e/ou serviços mais baratos, foquem também na qualidade e na diferenciação de seus produtos/serviços, bem como no atendimento prestado à clientela", afirma.

A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas foi instituída em 14 de dezembro de 2006 pela Lei Complementar n° 123 e o Simples Nacional entrou em vigor em 1º de julho de 2007. De acordo com Edson Sadao, professor de administração da FEI especializado em empreendedorismo, a lei foi um grande incentivo para quem pensava em empreender. "Com a mudança da Lei, os microempreendedores perceberam que vale a pena se tornar uma empresa individual, pois todo tipo de custo é reduzido", explica.

Suporte aos iniciantes

Quem pretende empreender mas não sabe como começar tem diversas opções para buscar informações e se preparar. O Brasil começa a formar um "ecossistema empreendedor" que dá apoio aos iniciantes por meio de agentes como incubadoras e aceleradoras de negócios, além de organizações que oferecem suporte básico, como o próprio Sebrae. Buscar informações em eventos como seminários e feiras é outra recomendação.

Os especialistas recomendam ainda cautela ao começar um negócio próprio. Para Sadao, da FEI, três dicas são essenciais. "Em primeiro lugar, evite empreender com algo que não conheça. Busque se informar com quem já está no setor e com professores de faculdade". A segunda recomendação é não olhar apenas o lado bom. O professor explica que é preciso analisar o mercado e calcular todos os riscos. "Em terceiro lugar, nunca coloque todo o seu dinheiro no empreendimento. Você nunca sabe aonde aquilo vai chegar, então é importante deixar um capital guardado", diz ele.

Como complemento, Alessandra, da Faap, lembra que nunca é bom agir por impulso. "Não faça nada de cabeça quente. Primeiro é preciso pensar se a pessoa quer abrir algo apenas para se manter temporariamente ou se busca fazer daquilo sua atividade para o resto da vida", sugere. Ela recomenda também que se busque um sócio com experiência no ramo, pois considera importantíssimo que, quando se comece uma empresa, alguém já tenha know-how na área.

Fonte: DCI

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