Importadores lamentam ano

25/01/2016

CLÁUDIA DUARTE - ESPECIAL PARA O TEMPO

A desvalorização do real frente ao dólar em 2015 teve impacto negativo sobre a venda de vinhos em Minas Gerais. Representantes de grandes importadoras de Belo Horizonte apontam não somente o dólar como o vilão dos impactos nos preços da bebida, mas também o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que passou a valer a partir de 1º de dezembro de 2015. Com o novo modelo, passou a ser cobrada uma alíquota dependendo do tipo de bebida, e não há mais um teto para a cobrança do imposto.

E olha que os importadores entrevistados por O TEMPO afirmaram que não repassaram na íntegra para o consumidor todos esses reajustes. Os vinhos nacionais, por exemplo, que tinham uma tributação limitada a R$ 0,73 por litro (teto do IPI com o sistema antigo), passaram a pagar alíquota de 10%.

Um vinho nacional de R$ 30, por exemplo, pagava R$ 0,78 de IPI e, desde dezembro, são cobrados R$ 3. Os vinhos importados, por sua vez, pagavam um teto de R$ 0,73 para valores de até US$ 70 (grande maioria dos produtos). Desde dezembro já passaram a pagar também 10% de IPI.

Na Casa Rio Verde, que é uma das maiores importadoras de Minas Gerais, a gerente geral Renata Andrade esclarece que a alíquota maior do IPI teve que ser repassada para os preços dos vinhos, mas o aumento do dólar não foi repassado integralmente. “Podemos dizer que entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016 o dólar teve alta de 50%, e isso seria muito impactante para o nosso consumidor”, esclarece ela.

A importadora, que tem 80% do mix de vinhos importados e 20% de nacionais, não registrou, porém, um aumento de vendas dos nacionais por causa da majoração de preços. Os espumantes nacionais é que têm se destacado nas vendas já por causa dos bons preços e da qualidade, segundo ela.

É preciso sempre apresentar novidades aos clientes, mas a Casa Rio Verde não trabalha hoje para aumentar o seu mix. “Atualmente são cerca de 320 rótulos importados, e a ideia é renovar esse mix, mas sem aumentar o número de rótulos. Ou seja, saem rótulos e entram outros”, conta a gerente geral.

Para minimizar os impactos para o consumidor, a Casa Rio Verde já havia criado, no início de 2015, o Clube do Vinho, no qual paga-se uma assinatura em uma das três categorias – Ouro, Unique e Summer – e o cliente tem a oportunidade de degustar ótimos vinhos europeus com preços abaixo de vinhos sul-americanos. “Temos conseguido fidelizar o cliente”, esclarece Renata.

SEM REPASSE.

“Não repassamos na íntegra para o consumidor o reajuste de quase 40% do dólar em um ano”. A afirmação é de Flávio Morais, diretor da Enoteca Decanter – também uma das maiores importadoras de vinho do Estado. Já com relação ao IPI, houve repasse integral para os preços.

A carga tributária de um vinho ultrapassa 50% e pode variar de acordo com os acordos internacionais que o Brasil participa e também com Estado para qual o vinho se destina, pois o ICMS não tem alíquota única. A estratégia, segundo Morais, “é diminuir as margens de lucro em prol da manutenção do mercado”. A Enoteca Decanter tem hoje cerca de 1.200 rótulos de vinhos e espumantes de 20 países. Um balanço preliminar de dezembro de 2015 até o último dia 10 de janeiro feito pelo diretor da companhia revela que “o número de garrafas de vinho vendidas é positivo, mas o valor médio da compra feita pelo consumidor caiu”.

Perspectiva melhor para 2016

Com relação às perspectivas para 2016, a Casa Rio Verde trabalha com uma expectativa de crescimento de 5% no volume de garrafas vendidas. Ao falar de números alcançados em 2015, a gerente geral Renata Andrade é cautelosa. “O montante da receita do Clube do Vinho (assinatura mensal de vendas) no total de vendas do ano passado, por exemplo, ainda não foi fechado”, disse.

Na Enoteca Decanter, o primeiro semestre de 2015 teve um crescimento da ordem de 7% a 8% no número de garrafas vendidas na comparação com 2014. Já no segundo semestre, o número de garrafas vendidas cresceu 3,5%. Segundo o diretor Flávio Morais, a expectativa era de um crescimento de 11,5% na comparação entre 2014 e 2015. Com relação ao faturamento no segundo semestre de 2015, houve queda de 3,78%.

“Ainda estamos tentando entender o que foi 2015”, diz ele, que está traçando perspectivas só para o primeiro trimestre deste ano.

Janeiro é um mês de planejamento, e, para Morais, 2016 vai depender de ações governamentais. “A expectativa é tentar manter queda máxima de 5% com relação ao ano passado”, prospecta o diretor da Enoteca Decanter. As ações promocionais realizadas com os vinhos – descontos, planos de pagamento – estão fazendo com que o consumidor volte à Enoteca, “mas não na velocidade de anos anteriores”.

Fonte: O Tempo - MG

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