Adoção de plano estratégico de longo prazo pode indicar saída para a crise

04/03/2016

São Paulo - A adoção e execução de plano estratégico de longo prazo podem ser saída para que companhias abertas e fechadas possam atravessar a crise econômica, a pior recessão dos últimos 25 anos, conforme dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado ontem.

Mesmo com a queda de 3,8% do PIB no ano passado, um seleto grupo de empresas brasileiras - Alpargatas, BRF, Bradesco, Cemig, Cetip, Kroton, Ultrapar, Valid e Weg - tem conseguido superar a crise local, investir para o longo prazo e criar valor de mercado aos seus acionistas, segundo informou ontem, o presidente da Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca), Antonio Duarte Carvalho de Castro.

Pela metodologia adotada, a Kroton liderou a criação de valor (70%), seguida por Cetip (35,7%), Valid (33,4%), Cemig (26,6%), Alpargatas (25,8%), Weg (23,5%) BRF (22,7%), Ultrapar (21,7%), Bradesco (11%).

"Na média dos últimos cinco anos, o investimento em expansão é declinante, e o que vemos é que as margens estão se estreitando, ou seja, as empresas não estão conseguindo repassar seus custos. Mas há companhias que tiveram bons resultados e com robustez financeira", disse o presidente da Abrasca.

Entre os casos de sucesso apresentados ontem na sede da BM&FBovespa, em São Paulo, o diretor de Tesouraria e Relações com Investidores da Ultrapar, Marcelo de Simone, contou que mesmo com a crise, sua companhia deverá abrir entre 15 a 20 lojas (drogarias) por trimestre. "Sem contar a expansão da rede Ipiranga" apontou o diretor.

Na avaliação do presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, o Brasil é um País que obrigou os executivos a terem expertise (experiência) na administração de crises. "Olhando os últimos 33 anos, desde o Plano Funaro [em 1986], de lá para cá, volta e meia temos crises instaladas internamente, ou externas atingindo o País. Mas o que é determinante às empresas é olhar para o longo prazo, porque a força que macula os CEOs e conselheiros das companhias é ficar [administrando] o curto prazo, isso piora o quadro e não leva a empresa para lugar nenhum", disse.

Edemir diz que as empresas precisam ter em mente que a crise irá passar. "O Brasil não vai acabar, só estamos passando por uma crise, mas vai sair da crise, é só uma questão de tempo. Pode levar um pouco mais de tempo, um pouco menos. O mercado hoje está fechado para IPOs [ofertas iniciais de ações], não temos expectativas de IPOs, mas cada vez mais temos um mercado mais preparado para enfrentar essas situações", afirmou.

O presidente da Bolsa de Valores ressaltou que as empresas devem planejar para o médio e longo prazo. "Há uma série de alternativas para sobreviver à crise, a primeira delas é buscar a redução de custos, mas tem outras linhas de crescimento orgânico, focar e trabalhar. Não dá para ficar o tempo todo reclamando da crise, tem que trabalhar", diz.

Segundo a presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Sandra Guerra, a crise atual também é uma oportunidade para que as companhias possam olhar internamente. "O que tenho testemunhado é um certo imobilismo num momento muito difícil para tomar decisões. O cenário não é claro, e não se sabe quando ficará claro. Assim vamos ter empresas canibalizando seu futuro numa visão de curto prazo. É hora de olhar para dentro e fazer uma reflexão", orientou Sandra Guerra.

A presidente do IBGC lembrou que em épocas que a economia está "bombando", que os executivos não tem tempo para o dia a dia, na procura por onde ser mais eficiente. "As equipes ficam mais preocupadas em crescer, não se olha para dentro da empresa", disse.

Ela destacou que os administradores e conselheiros também precisam destravar os valores intangíveis dentro de suas companhias e administrar riscos do capital humano, natural, de relacionamento e de conhecimento. Sandra diz que a importância da governança corporativa só tem aparecido após a destruição de valor (das ações) com problemas de corrupção e fraudes. "É preferível um conjunto de boas práticas menor, mas verdadeiro, consciente e pensado", diz.

Ainda sobre a questão curto prazo, o diretor de relações com investidores da Kroton, Carlos Lazar, contou aos presentes, que atualmente 80% do tempo das reuniões são para debater o efeito da crise, o que vai acontecer com as perdas e a evasão escolar. "Não se tem tempo para comentar as coisas boas que são muitas, parece o muro das lamentações", disse.

Fonte: DCI - SP

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