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PUBLICADO 2 anos ATRÁS.

Mercado formal diminui, mas contribuintes são mantidos

São Paulo – O número de empregados no setor privado com carteira assinada caiu 1,485 milhão (-4,1%) no segundo trimestre, enquanto a quantidade de contribuintes para a previdência recuou 522 mil (-0,9%) no mesmo período. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que os trabalhadores mantêm seus aportes apesar da situação econômica adversa.

“Embora o emprego com carteira tenha caído bastante [ante igual período de 2015], o percentual de contribuintes na população empregada se mantém. Isso acontece porque mesmo aqueles que deixaram o mercado formal tentaram segurar esses pagamentos”, disse Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

A diminuição do trabalho com carteira assinada também foi registrada no setor público. Entre o segundo trimestre do ano passado e igual período de 2016, 115 mil pessoas perderam cargos formais no estado, uma queda de 9,1%. Por outro lado, o emprego sem carteira se manteve estável em um ano. No setor privado, foi vista a entrada de 17 mil pessoas, enquanto 21 mil trabalhadores não registrados deixaram o setor público no período.

Segundo o economista entrevistado pelo DCI, os trabalhadores tendem a “se sacrificar” para manter o volume de aportes que fizeram durante parte da vida. “São pessoas que já contribuíram cinco, dez, ou até 20 anos para a Previdência e ainda não podem se aposentar. Elas preferem segurar as despesas, no presente, para manter esses pagamentos e garantir a pensão no futuro”, afirmou Istvan Kasznar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entretanto, o especialista disse que a manutenção das contribuições não deve resistir por muito tempo se o mercado de trabalho brasileiro continuar perdendo força. “Esse respiro vai até o ponto em que durar a poupança daqueles que deixaram o mercado formal, ou até quando eles conseguirem trabalhar de maneira sustentável no mercado informal”, apontou Kasznar. O entrevistado também indicou outras formas usadas para manter as contribuições. “Alguns vendem parte do patrimônio, outros pedem dinheiro emprestado e há até casos de doações”, exemplificou.

Por região

Grande parte da perda nos contribuintes, durante o último ano, veio do Nordeste. Na região, 368 mil pessoas deixaram de fazer aportes na previdência entre o segundo trimestre de 2015 e igual período de 2016, um recuo de 3,4%.

Para Kasznar, um maior prazo de recuperação seria o motivo de uma situação pior entre os nordestinos. “As pessoas demoram cerca de 15 meses para encontrar um emprego depois de serem demitidas, é o período de tempo mais longo registrado no País”, aponta. O especialista ressaltou ainda que a maior parte dos trabalhadores da região recebe até dois salários mínimos. Por isso, a quantidade de reservas para reforçar a previdência costuma ser menor.

Também foram registradas diminuições em Sul (menos 22 mil pessoas, queda de 0,2%) e Sudeste (menos 178 mil, recuo de 0,6%). Por outro lado, o número de contribuintes cresceu no Norte (mais 31 mil, alta de 1%) e no Centro-Oeste (mais 16 mil, alta de 0,3%).

Por estado, os piores dados vieram de Sudeste e Nordeste, enquanto os melhores números estavam no Sul e no Centro-Oeste. No Rio, 222 mil pessoas deixaram de contribuir. Bahia (-220 mil) e Pernambuco (-117 mil) apareceram em seguida. Já as maiores altas estavam no Paraná (+80 mil) no Mato Grosso do Sul (+45 mil).




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