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PUBLICADO 1 ano ATRÁS.

Levantamento garante: Brasil sofre crise de crédito

Segundo um levantamento feito pela gestora de recursos Rio Bravo Investimentos, cerca de R$ 1 trilhão deixou de circular na economia brasileira nos últimos 12 meses.

O montante que saiu de rotação refere-se a créditos bancários que foram sendo pagos pelos devedores e não retornaram ao mercado na forma de novos empréstimos, assim como à falta da expansão natural do mercado. Essa redução faz com que esteja em circulação um montante 25% menor do que o que deveria se a economia do país estivesse em um patamar considerado normal.

Ainda para se ter noção do desfalque que esse valor confere, o volume de crédito bancário que gira na economia hoje é igual ao que estava disponível em 2012. A analise levou em conta dados do Banco Central sobre variações do estoque de crédito, e serve para evidenciar que o Brasil está vivendo uma crise de crédito.

Sem crédito, sem recuperação

De acordo com o economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, o resultado do levantamento comprova que o Brasil ainda terá trabalho para sair da crise em que se encontra. “Sem crédito, sem dinheiro, a economia não vai mesmo reagir“, lamenta. Já a economista Zeina Latif, da XP investimentos, explica que a situação é complexa para os dois lados dessa relação: os tomadores de créditos e os bancos.

Por um lado, empresas e contribuintes encontram-se enroscados com dívidas e seus juros que mal conseguem dar conta. Por outro lado, os bancos já renegociaram débitos e têm receio de emprestar mais dinheiro.

Bolha norte-americana

A pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington (EUA), Monica de Bolle, traçou um paralelo entre a situação brasileira com a crise vivida recentemente nos Estados Unidos.

Por lá, houve uma crise de crédito causada pelo estouro da bolha imobiliária, em 2008. Para sair dessa situação, foi necessário uma intervenção firme do governo local: US$ 5 trilhões (US$ 850 bilhões para ajudar bancos e empresas e US$ 4 trilhões com um programa de aquisição de títulos soberanos lastreados em hipotecas). Mesmo assim, foram necessários oito anos para que a economia dos Estados Unidos conseguisse se recuperar.

Quando questionada sobre se há alguma possibilidade de o Brasil tomar medidas similares, Mônica demonstra-se pessimista. “Sem chance de o Brasil, neste momento, fazer algo minimamente parecido“.




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