
Conforme prometi no artigo imediatamente anterior publicado, vamos tratar de algumas orientações básicas de como aplicar o dinheiro seja no mercado financeiro os em ativos não-financeiros (como a compra de um imóvel, por exemplo). Para dar seqüência, utilizarei a mesma família do artigo anterior.
Como os leitores devem lembrar, a família destacada era composta pelo pai (José), pela mãe (Maria) e por dois filhos adolescentes (Antônio e José, o filho). Esta família possuía uma situação financeira desorganizada e com os ajustes discutidos anteriormente, ela conseguiu montar um orçamento e seguí-lo, de tal modo que passou de uma situação deficitária (despesas maiores do que as receitas) para uma situação superavitária (receitas superiores às despesas). Inicialmente quero lembrar aos leitores que quem ganha mais, óbvio que pode poupar mais, mas isso nem sempre acontece. Há famílias que ganham muito bem, mas são deficitárias, enquanto existem outras que ganham relativamente menos, mas são tão organizadas, que conseguem poupar algo. Mas antes de começar a poupar, lembro que a família deverá quitar suas dívidas, pois ainda existem pessoas que possuem dinheiro na caderneta de poupança, que rende menos 0,8% ao mês e entra em financiamentos com taxas superiores ao referido rendimento da aplicação. Isso não é racional, essa pessoa deve despoupar e comprar à vista.
Iniciando a conversa entre a família, Antônio (um dos filhos) reuniu todos e disse, “já que agora conseguimos organizar nossas contas e nossos gastos estão sendo cobertos com as nossas receitas e ainda está sobrando algo no final do mês, o que poderemos fazer com esse dinheiro de modo a fazê-lo render?”. José, o filho, deu uma sugestão, “lá na escola tenho um amigo que me falou que o pai dele aplica no mercado financeiro e entende do assunto. Logo, eu poderei conversar com ele e pedir sugestões”. No dia seguinte, José (o filho) chegou em casa e chamou seu pai e disse, “pai, tenho uma boa notícia, o pai do meu amigo pediu para que você telefonasse para ele, que ele iria lhe dar algumas sugestões do que fazer com o dinheiro que sobra, após pagarmos nossas contas mensais”. “Ótimo, meu filho. Vou fazer isso agora”, respondeu o pai.
Assim, José ligou para o pai do amigo dele e ambos conversaram por um bom tempo. Logo em seguida, José esperou Maria chegar do trabalho e após o jantar, reuniu a família para que as decisões fossem tomadas. Assim que todos estavam presentes, José começou, “queridos, conversei com João, o pai do seu amigo José (o filho) e nosso papo foi muito proveitoso. João é consultor econômico e me deu dicas muito boas. Contei para ele que nós temos alguns planos para o futuro, dentre eles, o de trocar o nosso carro por um mais novo e o de comprar um imóvel para sairmos do aluguel. Ele me disse que antes de comprarmos um imóvel devemos fazer uma análise do preço do mesmo e de quanto seria o aluguel deste, pois dependendo do aluguel, às vezes é melhor alugar do que comprar o imóvel. Ele me deu um exemplo: suponha que o imóvel custe R$ 30 mil e o aluguel seja de R$ 150,00,é melhor alugarmos, pois quando conseguirmos juntar os R$ 30 mil, poderemos colocar numa aplicação financeira que paga aproximadamente 1% e ter um rendimento mensal de R$ 300,00, que dará para o aluguel e ainda sobrará R$ 150,00 para pouparmos para trocarmos de carro num período mais rápido. Ele lembrou que IPTU e condomínio têm de ser pagos, independente do imóvel ser próprio ou não, e é o inquilino que paga, logo os mesmos não deverão entrar no cálculo da relação entre a decisão da compra e a opção do aluguel, somente o próprio valor do aluguel. João lembrou dos riscos do mercado financeiro e ele torce para que não mais qualquer espécie de confisco, como a que ocorreu em 1990, no governo Collor”.
Com relação às aplicações financeiras, José relatou o seguinte, “o João me disse que nós precisamos saber o nosso perfil de aplicador. Se somos mais conservadores, não gostamos muito de correr riscos e vamos precisar do dinheiro num período mais curto devemos ir para aplicações que são mais seguras, mesmo pagando menos, que é o caso da caderneta de poupança (que tem uma garantia de até R$ 20 mil por CPF, pelo Fundo Garantidor de Crédito) e de alguns fundos de renda fixa. João ainda me falou que existem fundos cuja aplicação inicial é de apenas R$ 200,00. Mas ele também alertou que quanto menor for o valor da aplicação inicial, maior será cobrada a taxa de administração do mesmo e isso diminuirá a rentabilidade. Mas mesmo assim, subtraindo essa taxa e o imposto de renda (que não são cobrados na caderneta de poupança), a rentabilidade média (de 0,9 a 1,3%) ainda é superior à da própria caderneta. Mas se somos mais ousados e não vamos precisar do dinheiro nos próximos 5 anos, poderemos aplicar um parte em renda
variável, ou seja, em fundos de ações na Bolsa de Valores. Existem fundos na Bolsa que com apenas R$ 200,00 recebem aplicações.Só que João lembrou que esse mercado é muito arriscado, oscila muito, mas no longo prazo, em geral, tem apresentado bons resultados. E aí, o que vamos fazer?”, perguntou José à família.
Após alguns dias de discussão, a família chegou num acordo. José disse para a família, “como estamos iniciando nossas aplicações, não quero correr muitos riscos, pois temos planos de curto prazo também e devemos ter uma reserva para situações emergenciais, que não poderá oscilar muito no mercado de ações, logo vamos diversificar, colocaremos 70% distribuídos entre caderneta de poupança e fundo de renda fixa e os outros 30% em fundo de ações”. Assim, a família ingressou numa nova etapa da vida, paga suas despesas e ainda consegue poupar e Antônio ainda lembrou, “que bom que agora vamos poupar, pois assim poderemos crescer de patrimônio e ter uma melhor qualidade de vida tanto no presente quanto no futuro, pois quem gasta tudo que ganha, nunca terá coisa alguma na vida, mas que tem consciência do padrão de vida e procura gastar menos do que ganha crescerá financeiramente”.
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