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PUBLICADO 3 anos ATRÁS.

Empresários tentam derrubar proposta para novo imposto

Brasília – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou ontem, que a carga tributária é “altíssima” no Brasil, e que o governo não vai resolver a situação fiscal se decidir elevar impostos. A uma plateia composta pelo presidente em exercício, Michel Temer (PMDB,) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Skaf defendeu que o aprimoramento dos mecanismos de arrecadação e a busca de passivos que estão até o momento “perdidos”.

A Fiesp organizou ontem a comitiva de empresários na forma de manifesto em favor da retomada do crescimento da economia brasileira. “Aumentar impostos no momento em que empresas estão feridas significará aumentar a inadimplência”, disse Skaf, argumentando que há outros caminhos para buscar receitas. O presidente da Fiesp também classificou a taxa básica de juros vigente no Brasil, de 14,25% ao ano, de “absurda” e sugeriu que a Selic seja reduzida. “Há necessidade de haver crédito”, afirmou.

Skaf fez, ainda, defesa das concessões, dizendo que elas “não só criariam infraestrutura, mas também gerariam emprego”. Ele pediu “medidas emergenciais” para recuperar a confiança e destravar os investimentos, que descartem aumento de impostos. Entre as propostas, o industrial citou a redução dos juros, a ampliação do crédito e o estímulo às exportações. “Sendo atendidos esses pontos macroeconômicos, vamos retomar a confiança”, disse.

O presidente da Fiesp afirmou também que é preciso separar a crise política da crise econômica. No evento com empresários e o presidente em exercício no Palácio do Planalto, ele disse que não pretendia fazer reivindicações. “Estamos aqui para reiterar a crença e o amor que temos pelo Brasil, pela nação brasileira. É fundamental, para que possamos retomar crescimento, a confiança”, disse.

“Em primeiro lugar, temos de separar a crise política da econômica. É necessário que a crise política siga seu trilho para que se resolva, mas a crise econômica tem que ter trilho separado para que se retome o crescimento”, defendeu Skaf. Além de Temer e os empresários, acompanharam o discurso o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, e o ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Marcos Pereira.

Skaf destacou que, para que o Brasil saia da crise, é preciso retomar o crescimento. “Se o governo precisa de mais arrecadação, ministro Meirelles, a solução é o crescimento. Se precisamos gerar empregos, precisamos de crescimento”, afirmou. Para isso, é preciso que haja retomada da confiança, defendeu o presidente da Fiesp. “Nós todos estamos à disposição, trabalhando noite e dia, sábados, domingos e feriados, para a retomada do crescimento no Brasil”, acrescentou Skaf, aplaudido pela plateia de empresários.

AJUSTE DIFÍCIL O ajuste fiscal no Brasil será um processo lento e bastante difícil, segundo Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração do grupo siderúrgico Gerdau, de Porto Alegre. O empresário participou ontem de evento em São Paulo promovido pelo Instituto Aço Brasil. “Um ajuste fiscal brasileiro é um processo lento e bastante difícil porque é muito dinheiro que está desbalanceado”, justificou ele, que estava na plateia e pediu a palavra durante painel que tratava da difícil situação enfrentada pela indústria.
Para Gerdau, o Brasil tem “só duas saídas: investir em infraestrutura e na exportação”. Ele afirmou que “o modelo de subsídios se esgotou” e reforçou que a indústria precisa ser fortalecida, por meio das exportações sobretudo, para que o País volte a crescer. “O momento político precisa entender que é preciso retomar o crescimento”, observou.

Jorge Gerdau criticou duramente o nível do juro básico da economia no país e chamou de “loucura” o patamar da taxa nacional. Em suas palavras, o alto nível do “custo do dinheiro inviabiliza a competitividade”. Ele citou que levando em conta um ranking global de juro real (em que a inflação é descontada), o Brasil lidera com folga a listagem apresentando taxa de 7%.




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