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PUBLICADO 2 anos ATRÁS.

Empreender ainda é uma questão de subsistência no Brasil

A visão clássica que se tem do empreendedor, como sendo aquele indivíduo proativo que busca inovar para conquistar o mercado, não se aplica integralmente à realidade brasileira.

Por aqui, empreender está mais para uma alternativa de subsistência, como mostra pesquisa realizada pela Consultoria Santo Caos.

O estudo revela que a grande maior (75%) dos empreendedores pesquisados abre a empresa com capital próprio, comumente com dinheiro de rescisão salarial.

Constatação reforçada pelo fato de a faixa etária de maior concentração de empreendedores no Brasil estar entre os 45 e 54 anos, bem acima da média mundial, entre 25 e 34 anos.

Em vez de voltarem para o mercado de trabalho, esses indivíduos usam a rescisão para abrir o próprio negócio. Mas apenas 5% deles têm interesse em fazer a empresa crescer fisicamente, abrindo novas lojas ou franqueando. 

Um número pequeno também, apenas 12%, têm a intenção de oferecer novos produtos aos seus clientes. Já que visam a estabilidade, não se preocupam muito com a capacitação.

Dos ouvidos para o estudo, 32% disseram que não procuram se aperfeiçoar. E entre aqueles que se capacitam, 29% o fazem pela internet.

“Percebemos que muitos não querem as responsabilidades, mas buscam a flexibilidade de empreender. Estão mais para funcionários sem chefe do que para um empreendedor, se adotarmos a visão global de empreendedor”, diz Jean Soldatelli, sócio da Santo Caos.

Ele deixa claro que ter esse perfil de empreendedor não significa, necessariamente, ter uma empresa ruim. “Há casos de sucesso entre empresários que abriram a empresa como uma alternativa de subsistência e se destacaram no mercado. Mas a chance de os negócios não darem certo são grandes.”

 

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Falta engajamento do empreendedor com seus negócios. Para que isso ocorra, quem empreende precisa, primeiramente, se conscientizar do seu papel de empresário e se enxergar como tal.

“Muitos microempresários com quem conversei tem baixa auto-estima. Eles falam que possuem um ‘negócinho’, e não uma empresa”, diz Soldatelli. 

Nesse sentido, o sócio da Santo Caos lembra da importância de instituições como o Sebrae ou a Endeavor.

“É preciso ter orgulho de ser microempresário. Mesmo sendo pequeno, trata-se de uma empresa, tem uma história por trás”, comenta.

O estudo também constatou que a maior parte dos empreendedores pesquisados, 52% do total, abrem o negócio no mesmo ramo de atividade no qual trabalhava quando era empregado. 

O problema é que muitos não buscam conhecimento administrativo. É aquela velha história, um bom padeiro pode não ser um bom administrador de empresa.

Não é por acaso que no levantamento 55% dos empresários apontaram a gestão financeira como seu maior problema.

“Isso mostra outra questão problemática. Não existe aprendizado financeiro nas escolas”, diz Soldatelli.

OS DIFERENTES PERFIS

Esse empreendedor que não se preocupa em abrir novas lojas, não busca capacitação e não quer assumir a responsabilidade de empreender, apenas seus benefícios, é o tipo mais comum encontrado pela consultoria.

Representa 34,7% de todos os pesquisados. Esse perfil de empresário costuma ter atuação local, no bairro onde está instalado, e faturamento baixo.

Em contrapartida, há um segundo perfil encontrado, com uma representatividade de 25,6% do total pesquisado, completamente oposto. São aqueles empreendedores com visão de negócio, que querem franquear e abrir novas lojas, embora saibam que os riscos envolvidos são grandes.

Soldatelli diz que esses empresários, em sua maioria, vieram de um ramo diferente dos seus negócios atuais. Publicitários que abriram uma sorveteria, por exemplo. Outra diferença é que eles procuram se capacitar ou então buscam no mercado um especialista na área operacional. 

O empreendedor paulistano é o que mais busca capacitação, mostra o levantamento, que traz diferenças regionais curiosas. No Rio de Janeiro, por exemplo, é onde foi constatado que o empreendedor começa mais cedo, entre os 18 e 25 anos. O empreendedor mineiro, juntamente com o paulista, são os que mais faturam. Um em cada 10 pesquisados faturam acima de R$ 1 milhão. Porém, os mineiros são os que mais reclamam das responsabilidades de ser um empresário. 

No Rio Grande do Sul poucos recorrem a bancos para iniciar as atividades, costumam usar capital próprio. E em Manaus, 52% dos empreendedores ganham menos de R$ 3.6 mil por mês. O levantamento foi feito com 548 empreendedores de seis capitais entre janeiro e março deste ano.




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