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Classe Contábil
PUBLICADO 1 mês ATRÁS.

Em novembro de 2017, a classe contábil elegeu democraticamente seus representantes, mas os discursos de 2018 parecem indicar que o processo eleitoral não terminou.

Em 22 de novembro do ano de 2017 terminou mais um processo eleitoral da classe contábil brasileira. Foram meses de disputas, algumas raivosas, outras nem tanto, pelos CRC(s) de todo o Brasil. Todavia, persistem, nas redes sociais, em 2018, os mesmos discursos que não comoveram a classe contábil nas últimas eleições e se levantam as mesmas questões da época das eleições como, por exemplo, a de que o sistema CRC(s)/CFC não defende a classe, as anuidades estão muito caras etc. Mas os resultados das eleições, estão aí e elegeram, em sua grande maioria, as administrações que representavam as ditas situações. Vejamos:

Segundo o site do Conselho Federal de Contabilidade, em treze Estados houve a formação de chapa única, indicando o desinteresse da classe contábil, naqueles Estados, em participar de uma disputa. Estes treze Estados, segundo ainda o CFC, representam cerca de 173,3 mil profissionais dos 310,1 mil que votaram no pleito de novembro. Lembrando que Estados como São Paulo e Paraná tiveram chapa única e juntos reúnem 112,2 mil profissionais que participaram da votação.

Mais: Nos Estados onde houve mais de uma chapa concorrendo, as chapas, ditas de situação venceram em dez, capitaneadas por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. As oposições venceram somente em quatro Estados. Minas Gerais, com 33,7 mil profissionais, encabeça a relação.

O interessante é que nas redes sociais, nos vários grupos de Contadores, os discursos eram quase unânimes e mencionavam: (1) As anuidades elevadas; (2) Os CRC(s) e o CFC nada fazem para defender e proteger a classe contábil e (3) A forma de eleição dos Conselheiros do CFC (solicitação de eleições diretas). Tais comentários ocorreram, não somente nos 14 estados onde realmente houve alguma disputa (mais de uma chapa), mas também nos Estados onde houve apenas chapa única.

Pois muito bem, nenhum desses temas pareceu seduzir o eleitor e/ou foram motivos para eleger chapas de oposição, com exceção dos Estados do Maranhão, Minas Gerais, Roraima e Bahia.  Ou seja, 23 Estados decidiram eleger ou manter uma situação que já existia.

Ora, se nada disso trouxe o eleitor para participar do processo eleitoral, claro está que algo precisa ser repensado por todos nós profissionais de Contabilidade, posto que, ou a classe está realmente satisfeita com o “status quo” que se encontra a Contabilidade e seus representantes da classe, ou os opositores à atual situação precisam rever a forma de abordar a profissão e o profissional de Contabilidade, trazendo este profissional para o seio da disputa e induzindo a classe contábil de que somente participando é que se promove mudanças. Se é que a classe contábil quer realmente mudanças, pois o resultado das urnas “diz” exatamente o contrário. Não se deve subestimar resultados eleitorais, o que se deve é analisar criteriosamente os motivos para os resultados ocorridos.

Durante a campanha, li e constatei vários discursos com promessas vãs e abstratas que davam a ideia de que, assumindo o CRC, tudo se resolveria. O profissional de Contabilidade deve saber que nada em Conselhos, se decide sem plenárias; nada em Conselhos, se decide sem respeito às leis e normas que regem a profissão; nada em Conselhos, se decide sem argumento e voto. Então, de que adianta um discurso que passa a ideia de imediata mudança, se esta mudança, para acontecer, depende de articulação política em nível regional e em nível nacional e, principalmente, representação política no Congresso.

Nos Conselhos (e no Brasil) é com a democracia que se promove mudanças. Há que participar nos Conselhos, há que argumentar, há que votar. Há que concorrer, Ganhar ou perder pode acontecer sim, mas há que respeitar este processo, este caminho…

Ouço muito também o argumento de que os Advogados “conseguem” tudo e os Contadores não “conseguem” nada. Talvez este fato seja verdadeiro, mas devemos considerar que os Advogados registrados na OAB são mais que o dobro de Contadores e Técnicos, registrados no CFC e, no Congresso Federal, segundo a própria OAB, de cada dez deputados, três ou quatro são bacharéis em Direito. Uma “disputa” matematicamente inglória, registre-se. Faça o seguinte: Nas próximas eleições vote em Contador. Vote no profissional que vai representá-lo nos parlamentos do Brasil.

Se temos a convicção de que não há alguma chapa, de situação ou de oposição, que seja mais importante que a Contabilidade e seu profissional e isto é verdade, é a hora de buscarmos reunir forças, de estudarmos com mais profundidade o comportamento da classe, de participarmos das plenárias, nos CRC(s) e no CFC, de apresentarmos projetos para que sejam votados, de fazermos contatos com políticos ou mesmo nos elegermos no Congresso. É hora de participação!!!

Campanhas políticas acirradas, como as que ocorreram em alguns estados, podem nos trazer muitos sentimentos mesquinhos e nos deixar mergulhados por muito tempo nestes sentimentos.

A Biblia, sobre o “tempo”, em Eclesiastes 3, nos ensina, nos conforta e nos ampara. Alguns trechos, para reflexão:

“(…)Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz(…)”

Fiquemos em paz, pois a classe contábil precisa realmente de todos os seus profissionais, tanto aqueles com chapa, quanto aqueles sem chapa.

Autor: Raimundo Aben Athar




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