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Desocupação diminui para 12,4%, mas sem melhorar a renda pelo trabalho

A taxa de desocupação caiu 0,7 ponto percentual para 12,4% no trimestre entre abril e junho de 2018 (13 milhões de pessoas), em comparação com o primeiro trimestre, mas a renda em todos os segmentos de trabalho ficou estagnada.

A boa notícia é que não há sinal de piora para o segundo semestre por causa das contratações de final de ano fomentadas pelo Dia das Crianças, Natal e Ano Novo. Por outro lado, a percepção é que a renda pelo trabalho continuará ruim devido ao elevado desemprego no País. Os dados foram divulgados ontem na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os empregados com carteira assinada (32,8 milhões de pessoas), a renda média cresceu apenas 0,2% em um ano, de R$ 2.096 no segundo trimestre de 2017, para R$ 2.099 no trimestre entre abril e junho de 2018.

Já entre os trabalhadores por conta própria sem o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) ou de Micro Empreendedor Individual (18,6 milhões de pessoas), a renda média caiu 0,8%, de R$ 1.871 para R$ 1.264, na mesma comparação.

Os economistas consultados pelo DCI também notaram que houve queda na renda dos empreendedores. Entre os empregadores com CNPJ (3,45 milhões de pessoas), a renda média caiu 3,8%, de R$ 6.132 no segundo trimestre de 2017 para R$ 5.901 no trimestre encerrado em junho passado.

Já entre os empregadores sem CNPJ (911 mil pessoas), a renda média recuou 5,5%, de R$ 3.293 em junho de 2017 para R$ 3.112 em junho último. O rendimento também perdeu força entre os empreendedores por conta própria formais ou individuais, com CNPJ ou MEI (4,44 milhões de pessoas), a renda mensal diminuiu para R$ 3.060 no trimestre encerrado em junho, ante R$ 3.087 em março último.

“Os pequenos empreendedores estão se virando como podem. Boa parte é por necessidade. A renda está muito pressionada e estagnada. Enfim, todos sobrevivendo”, avalia a professora de economia da Fecap, Juliana Inhasz.

Na média de todos os tipos de trabalho, a renda da população ocupada (91,2 milhões de pessoas) avançou apenas 0,3% de março para junho.

Mas para o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcos Antônio de Andrade, o aumento da informalidade visto nos números do IBGE não é bom para o equilíbrio das contas públicas. “Quase metade da população ocupada não recolhe tributos, isso não traz nenhuma expectativa positiva para investimentos”, observa.

O economista-chefe da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, também alertou para o aumento do desalento entre os desocupados. “As pessoas estão desistindo de procurar trabalho, quando isso ocorre é muito ruim para toda a economia”, avisa.

Na visão do economista-chefe da Spinelli, André Perfeito, o rendimento médio estagnado mostra que há uma deterioração do mercado de trabalho. “Temos uma pior qualidade do trabalho. A taxa de desocupação pode até recuar um pouco no final do ano, mas a recuperação da economia está muito lenta, falta demanda”, argumenta.

Na mesma linha, Juliana Inhasz diz que o trabalho informal é de renda mais baixa e sem direitos assegurados, e em condições precárias. “Com isso, a economia tende a andar de lado, a renda não cresce, sem acréscimo na demanda, nem do consumo das famílias”, diz a professora da Fecap.

Ela aponta que para o final do ano haverá redução discreta na desocupação. “O governo não tem feito esforços para reverter o desemprego. A renda permanecerá como está, estagnada”, prevê a professora. Dado o rendimento médio mensal muito baixo, a professora aponta o risco de pequenos empregadores eventualmente demitirem ou fecharem as portas. “O empreendedor assume riscos. Se o rendimento não compensa, manda embora os funcionários, trabalha sozinho ou fecha as portas”, considera Juliana Inhasz.

Alexandre Espírito Santo lembra que as micro e pequenas empresas são as maiores empregadoras do País. “Em geral é o pequeno empreendedor que oferece a primeira oportunidade de trabalho para os jovens. Vai depender das eleições, dar um pouco de esperança”, condiciona.

Compasso de espera

Para o horizonte de curtíssimo prazo, o economista-chefe da Órama não vê espaço para novas contratações. “Os empresários vão esperar as eleições em outubro. Se tiver um eleito convencido que as reformas são imperiosas, começa a andar”, afirma Espírito Santo. Andrade, do Mackenzie, observou que o setor público contratou no período (+392 mil). “E a questão fiscal?”, questiona.

Fonte: DCI São Paulo




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