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PUBLICADO 1 mês ATRÁS.

Definição do segundo turno eleitoral é insuficiente para restaurar confiança

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão para o crescimento da economia brasileira. O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), manteve a projeção de alta de 1,34% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 e de 2,50% em 2019.

Um dos diferenciais da mais recente pesquisa é que os economistas puderam avaliar as possibilidades do cenário econômico do País com os dois principais candidatos à Presidência já definidos e com a divulgação última pesquisa do Instituto Datafolha, que, no dia 11, mostrava o candidato Jair Bolsonaro (PSL) com 58% dos votos válidos, contra 42% de Fernando Haddad (PT).

Segundo os especialistas consultados pelo DCI, a confirmação da disputa entre os dois candidatos foi insuficiente para proporcionar maior clareza sobre os possíveis rumos econômicos.

“Apesar dessa definição, não sabemos o que irá acontecer nos próximos meses, não temos, ou temos apenas vagamente, uma ideia da composição da equipe econômica de cada um, do que eles irão fazer em termos programáticos”, explica o professor de Macroeconomia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-São Paulo), André Diz. “Essa eleição está muito focada no caráter ideológico e político, e menos em programas econômicos”, afirma.

O professor destaca o fato de que Fernando Haddad ainda não definiu quem ocuparia o cargo de Ministro da Fazenda, e de que Bolsonaro não definiu seus programas econômicos, como motivos para uma maior cautela do mercado.

“Apesar de o candidato do PSL defender uma pauta de desestatização, que é complicada de ser feita no curto prazo, temos um Congresso dividido, o que dificulta a leitura de o que o governo eleito conseguirá entregar possíveis reformas”, afirma André.

“Os dois candidatos ao segundo turno não são os candidatos que o mercado esperava, e nessa situação ele reage de forma conservadora”, diz o coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

“Com as eleições temos agora uma Câmara mais conservadora e em linha com o Bolsonaro, mas isso não significa um maior liberalismo econômico e uma agenda de reformas mais parruda”, comenta a economista da 4E Consultoria, Giulia Coelho, ao DCI.

“Apesar da resposta positiva do mercado ao candidato do PSL, ainda temos uma economia que não mostra tração de recuperação. O poder de consumo da população ainda está baixo e temos uma alta taxa de desocupação. Uma melhora da projeção de crescimento está mais atrelada ao cenário internacional, com aumento da expectativa de Investimento Direto no País”, explica André.

“Essa é a tentativa de projeção do mercado, mas os cenários dependem de reformas e ajustes”, afirma o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Pascalicchio.

Outros componentes

A pesquisa Focus também aponta elevação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) no fechamento do ano, indo de 4,40% para 4,43%, mas ainda dentro da meta de 4,5%.

Para o próximo ano, a estimativa dos analistas é que o índice oficial de inflação encerre o período em 4,21%, 0,01 ponto acima da previsão divulgada na semana passada.

Segundo André Diz, o aumento da previsão está relacionado ao preço dos combustíveis. “O preço do petróleo subiu muito nos últimos meses, devido principalmente a instabilidade internacional e ao crescimento da economia global. Além disso, tivemos grandes reajustes nas tarifas de energia elétrica, o que contribui para o avanço da inflação”, explica o professor.

O mercado também alterou as projeções do dólar para o final de 2018. A mediana das expectativas deste ano passou de R$ 3,89 para R$ 3,81, ante os R$ 3,83 verificados há um mês. Para 2019, a projeção passou de R$ 3,83 para R$ 3,80.

“O avanço de Bolsonaro nas pesquisas, por quem o mercado tem uma melhor percepção, leva a essa expectativa otimista de queda”, diz André.

O professor alerta, porém, que esse ânimo não deve ser suficiente para conter a pressão da moeda norte-americana. “Com o ajuste de juros nos Estados Unidos, o mais provável é que o dólar volte a subir nos próximos meses”, afirma.




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