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PUBLICADO 3 semanas ATRÁS.

Copom decide manter taxa de juros em 6,50% ao ano, por unanimidade

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem, por unanimidade, a taxa básica de juros (Selic) em 6,50% ao ano. A projeção do Banco Central (BC) é que a taxa feche o ano no atual patamar, mas suba a 8% em 2019.

O comunicado do comitê trouxe algumas mudanças em relação à penúltima reunião (19/09). Uma delas foi a redução das assimetrias entre os fatores de riscos para a inflação, além de um alinhamento das suas projeções de inflação com as do mercado.

Na nota, o BC reforçou que, dentre os fatores de riscos, a frustração das reformas e o ambiente externo têm mais peso do que a ociosidade da economia nas decisões da autoridade monetária, mas que este diminuiu em relação à reunião anterior.

Na avaliação do economista da Mongeral Aegon Investimentos, Julio Cesar Barros, isso mostra que a percepção do BC com relação à possibilidade de aprovação das reformas fiscais pode ter melhorado. Segundo ele, o recuo do dólar em relação ao real a partir de outubro também pode ter contribuído para uma avaliação mais positiva.

Em nota, o economista do Banco Santander, Luciano Sobral, disse que o BC seguiu o consenso de mercado ao manter a Selic. “De acordo com os modelos do BC, a expectativa de inflação para 2019 está mais alinhada com o consenso de mercado, subindo de 4% para 4,2%, o que provavelmente levou o comunicado a ressaltar que os fatores de risco que levariam para inflação mais elevada no futuro passaram a ter mais peso no cenário básico”, diz Sobral.

“Pela primeira vez, o comunicado fez menção à inflação de 2020 como parte do horizonte relevante para a condução da política monetária”, complementa Sobral.

Para 2020, o BC prevê uma alta de 3,7% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse cenário supõe juros de 6,50% em 2018, que deve subir a 8,0% em 2019 e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio de R$ 3,71 em 2018; de R$ 3,80 em 2019 e de R$ 3,75 em 2020.

O professor de economia da Fipecafi, George Sales, ressalta que a expectativa de um crescimento econômico maior em 2019 e a tendência de elevação dos juros norte-americanos irão contribuir para que o BC a aumente a Selic a partir de meados do ano.

“A projeção do mercado é de que o PIB [Produto Interno Bruto] avance 2,5% no ano que vem, o que significa uma expansão da economia de 85% comparada com este ano, cuja previsão é de alta de 1,35%”, comenta Sales.

“É um crescimento expressivo e que necessita controle da inflação por meio da elevação dos juros”, acrescenta o professor da Fipecafi. Em relação ao risco externo, Sales pontua que o aquecimento da economia dos Estados Unidos (EUA) indica tendência de alta dos juros norte-americanos, movimento que acaba provocando fuga de capitais de economias emergentes para o país.

Repercussão

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, avaliou que a manutenção dos juros foi acertada, diante do atual ambiente econômico que combina inflação dentro da meta de 4,5% fixada para este ano e fraca recuperação da atividade.

Ele lembra que a queda da cotação do dólar ao longo deste mês aliviou eventuais pressões sobre a inflação. “Passadas as eleições, a melhora das expectativas poderia abrir caminho para uma nova queda dos juros para estimular o consumo e os investimentos e, consequentemente, a recuperação mais robusta da atividade econômica”, diz Andrade.

No entanto, ele destaca que a retomada da trajetória de queda dos juros depende das ações do governo eleito. “A política monetária será determinada, principalmente, pelas medidas econômicas, especialmente das reformas necessárias ao ajuste das contas públicas, como a da Previdência e a tributária”, diz Andrade.

Já Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), afirmou que o mercado financeiro precisa repassar as quedas da Selic para o consumidor.

“O Banco Central precisa atuar com mais firmeza junto ao mercado financeiro, para que repasse as quedas dos últimos meses da Selic para o consumidor com mais intensidade do que fez até agora”, reivindica o presidente da ACSP.

Burti também avalia que a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 6,5% foi acertada, por refletir o atual momento econômico. O presidente da ACSP declara que “o dólar já refletiu em relação à alta dos últimos meses e os juros baixos devem ser mantidos pelo maior tempo possível”.

Burti complementa que o nível de atividade econômica está baixo, o desemprego ainda está elevado e há capacidade ociosa em diversos setores da economia brasileira.

Fonte: DCI




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