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Classe Contábil
PUBLICADO 2 semanas ATRÁS.

Breda detalha principais ações de sua gestão à frente do CFC

Roberta Mello Eleito e empossado no início deste ano como presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Ivânio Breda, avisa que a atual diretoria irá focar na melhoria das ferramentas de regulação dos profissionais e na qualificação das ações de educação continuada. “Pretendemos priorizar a melhoria do ambiente regulatório da profissão, em especial para aqueles que atuam nas organizações contábeis, oferecendo maior proteção legal ao exercício da profissão”, destaca Breda. Além disso, a entidade está revisando o Código de Ética Profissional do Contador. Segundo Breda, as mudanças buscam responder exigências do mercado e prever aquelas situações cotidianas no exercício da profissão que não estavam explicitadas no código vigente.

JC Contabilidade – Quais são seus principais planos à frente do CFC?

Zulmir Ivânio Breda – As atividades do CFC são múltiplas e se concentram em diversos programas e projetos que estão em andamento, frutos de um Planejamento Estratégico definido há dez anos, que vem sendo atualizado rotineiramente, como requerem as boas práticas de administração. Em cada gestão, alguns programas e projetos recebem uma atenção maior em função de prioridades estabelecidas pela diretoria e pelo plenário, sempre com o objetivo de manter o sistema contábil forte, harmônico e coeso e a nossa profissão cada vez mais valorizada. Para esta gestão, pretendemos priorizar a melhoria do ambiente regulatório da profissão, em especial para aqueles que atuam nas organizações contábeis, oferecendo maior proteção legal ao exercício da profissão. Também queremos ampliar o Programa de Educação Profissional Continuada para outros segmentos da profissão, como requerem os normativos internacionais. O objetivo principal é o de sempre termos por foco principal a inclusão de todos os nossos profissionais nas oportunidades, por meio do desenvolvimento profissional, elevando cada vez mais a qualidade dos serviços prestados ao mercado.

Contabilidade – Qual a importância do CFC na representação dos interesses da categoria e para a regulação profissional?

Breda – O Conselho Federal de Contabilidade é o órgão regulador da profissão no Brasil, com a missão de registrar, fiscalizar, normatizar e promover o desenvolvimento da profissão contábil no País. Nesse contexto, temos um papel importantíssimo, que é o de assegurar a qualidade do trabalho prestado pelos profissionais ao mercado, incluindo-se também todas as entidades e órgãos onde o profissional está presente. Temos também o compromisso, como órgão regulador, de buscar a melhoria contínua do ambiente de negócios no Brasil para facilitar e impulsionar o desenvolvimento econômico. A presença do profissional da contabilidade, em qualquer tipo de organização deve ser sinônimo de uma boa gestão, amparada por um conjunto de informações indispensáveis para a tomada de decisão. Portanto, propugnamos que o profissional da contabilidade esteja sempre muito próximo da esfera estratégica das organizações, atuando diretamente junto aos gestores, apoiando e orientando a correta tomada de decisão.

Contabilidade – Desde o seu ingresso na universidade e no mercado de trabalho, o que mudou na Contabilidade?

Breda – A nossa profissão evoluiu significativamente tanto no aspecto quantitativo como qualitativo. O problema é que as transformações no mundo dos negócios e nas relações com os governos ocorreram e ocorrem em velocidade cada vez maior, exigindo uma adaptação constante do profissional para novas realidades, seja nos aspectos regulatórios, operacionais e até mesmo comportamentais. Precisamos, portanto, oportunizar as possibilidades de adaptação do profissional para enfrentar esses constantes desafios, trabalhando por um melhor ambiente regulatório, pela busca da qualificação contínua e pelo atendimento aos preceitos éticos. Além disso, precisamos ter foco na inclusão de todos os nossos profissionais nas oportunidades de trabalho, por meio do desenvolvimento profissional, atentos a todas as inovações, especialmente no campo tecnológico, em que as mudanças são mais frequentes e de maior impacto para a profissão.

Contabilidade – O CFC está revisando o Código de Ética Profissional do Contador. Por que ela é necessária e quais são as principais alterações previstas?

Breda – A revisão se faz necessária sempre que surgem novas situações no mercado que não encontram regulamentação específica no código. Para que haja o enquadramento de determinadas situações, como transgressão de natureza ética, é preciso que exista previsão explícita no código, caso contrário, não é possível coibir certas condutas abusivas, como o assédio à clientela e a apresentação de propostas de serviços em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor. Assim, as alterações propostas visam tornar mais claras as regras sobre questões mercadológicas na relação cliente e profissional.

Contabilidade – Você tem, também, realizado reuniões com deputados. Qual a importância de aproximar o CFC do Legislativo?

Breda – O Poder Legislativo, em todas as esferas de governo, tem o papel primordial de elaborar leis, em todas as áreas. Portanto, o CFC atua muito próximo ao Legislativo federal para contribuir no aperfeiçoamento das leis que estão sendo elaboradas ou alteradas, notadamente aquelas que dizem respeito, direta ou indiretamente, à nossa profissão. Por exemplo, atualmente o Congresso Nacional está discutindo o Código do Contribuinte e a reformulação do Código Comercial, dois instrumentos legais de grande importância para o País, e o CFC tem acompanhado e apresentado proposições para a melhoria desses textos legais. Para maior eficácia, estamos concentrando nosso foco na aproximação com os parlamentares, especialmente com aqueles que são autores ou relatores de projetos de lei de interesse da profissão. Criamos uma área específica para cuidar do tema, que é a vice-presidência de Política Institucional. Cabe a ela fazer a articulação com o Poder Legislativo federal.

Contabilidade – O Brasil tem uma alta e complexa carga tributária. Como torná-la mais simples? Esta deve ser uma prioridade para os governantes eleitos este ano?

Breda – Se esta resposta fosse fácil e simples, a solução já teria sido implementada. A reforma tributária se arrasta no Brasil há décadas, por várias razões, entre as quais a dificuldade de equalizar os interesses dos entes federativos, União, estados e municípios, além das diferenças regionais, próprias de um País continental como é o Brasil. Outra questão deriva da própria complexidade do mundo dos negócios, que, a cada dia, apresenta novas nuances que merecem regulação tributária específica, tornando a legislação complexa. No Brasil, a profissão contábil sempre conviveu com alterações constantes na legislação tributária. Esta é uma questão que acarreta grande complexidade ao trabalho dos profissionais da área, pois exige atualização constante para domínio da legislação tributária municipal, estadual e federal. O volume de obrigações acessórias também é elevado e exige esforço e dedicação dos profissionais, que poderia estar voltado para outras atividades que contribuiriam mais para o resultado das organizações. Mas, também é preciso dizer que atualmente existem novas ferramentas que têm facilitado o trabalho do profissional nessa área. A tecnologia pode e deve ser utilizada para melhorar esse ambiente regulatório da tributação. Por outro lado, o CFC já apresentou sua proposta de reforma tributária ao Congresso Nacional e está disposto a discutir o assunto novamente, caso o tema volte à pauta do governo.

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Fonte: Jornal do Comércio




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