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PUBLICADO 4 semanas ATRÁS.

Bancos querem limpar ‘créditos podres’ dos balanços deste ano

Os bancos devem limpar de seus balanços, neste ano, cerca de 20% do estoque dos chamados “créditos podres”, empréstimos feitos a clientes e empresas vencidos há mais de 180 dias e de difícil recuperação, segundo projeções de especialistas. Na ponta do lápis, esses créditos equivalem a R$ 40 bilhões, quase o dobro do que as instituições conseguiam limpar dois anos atrás”, cerca de R$ 25 bilhões.

Levantamento da consultoria KPMG mostra que os bancos abriram o ano com R$ 200 bilhões em estoque de créditos podres. Uma parte desses papéis ainda constava nos balanços das instituições, e outra parte já havia sido lançada como prejuízo, mas ainda não tinha sido vendida no mercado. “Um número entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões para este ano está bem próximo da realidade”, acredita Márcio Fujita, sócio da Brasil Distressed (BrD), empresa especializada em recuperação de créditos.

De acordo com Fernando Omori, sócio da KPMG, o mercado de recuperação de créditos “subiu de patamar” com a entrada dos grandes bancos no segmento. Em 2016, o Itaú Unibanco anunciou a compra da Recovery, empresa especializada nesse tipo de recuperação e que pertencia ao BTG. No ano passado, o Santander comprou a Ipanema Credit Management. No início deste mês, o Bradesco anunciou a aquisição de uma fatia majoritária da RCB, do mesmo ramo. O Banco do Brasil possui a Ativos.

“Os bancos passaram a avaliar o negócio de recuperação de crédito como lucrativo. Agora eles mesmos drenam esses créditos podres de seus balanços e, quando conseguem recuperar, reduzem seus prejuízos”, afirma Omori. Com a economia crescendo pouco e o desemprego em alta, os consumidores e as empresas continuam com dificuldades para pagar em dias seus empréstimos. Em agosto, nada menos que 5,5 milhões de empresas estavam com contas em atraso, segundo levantamento da Serasa Experian. Em relação às pessoas físicas, também segundo a Serasa, o total de inadimplentes passa atualmente de 62 milhões.

“Nos últimos 12 meses, os bancos colocaram o pé no freio nas concessões de crédito. Mas muitos empréstimos que ainda aparecem como ‘bons’ nos balanços dos bancos, devem ser vendidos no mercado de créditos podres até o fim do ano”, diz Carlos Catraio, especialista na recuperação de créditos de empresas no País.

De acordo com o especialista em bancos, João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, as regras do Banco Central determinam que as instituições financeiras precisam tirar de seus balanços os créditos vencidos depois de 180 dias de atraso. Os bancos são obrigados a provisionar 100% do valor. “Os bancos estão negociando com os clientes, que perderam o emprego, por exemplo, e estão em dificuldades momentâneas. Mas com 180 dias de atraso, a chance de receber esses empréstimos é muito difícil. Por isso, eles são obrigados a provisionar e tirar do balanço. Depois vendem essas carteiras no mercado”, afirma Salles.

A explosão do estoque de crédito no país, que saltou de R$ 1,8 trilhão, em 2008, para R$ 3,1 trilhões, atualmente, também ajuda a elevar o volume de empréstimos em atraso no país, lembra Salles. Os créditos podres viram dinheiro na mão das empresas especializadas em cobrança, que no mercado são conhecidas como “fundos abutre”. Elas negociam os empréstimos com descontos bastante elevados em relação ao valor nominal da carteira.

Dependendo da negociação, o desconto pode chegar a até 70%. Especialistas desse mercado avaliam que o lucro chega a variar de 20% a 25% nos créditos de pessoa física e 30% a 35% nos papéis em atraso de empresas. O problema é que pode levar anos até que o dinheiro entre no caixa. “Quando a economia está ruim e sem perspectivas de retomada, a recuperação dos créditos torna-se mais difícil”, aponta Carlos Catraio, especialista na recuperação de créditos de empresas.

Diferentemente dos bancos, os fundos abutre não têm relacionamento de longo prazo com as empresas ou clientes devedores. Assim, são mais enfáticos na cobrança e costumam ir à Justiça para reaver o dinheiro. Márcio Fujita, da BrD, observa também que como não emprestaram os recursos ao cliente e compraram a carteira em atraso com um desconto razoável, esses fundos têm mais condições de negociar um acordo. “Se paguei R$ 20,00 por um empréstimo original que era de R$ 100,00, posso oferecer um acordo para o cliente pagar R$ 40,00.”

Fonte: Jornal do Comércio




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