Que tal usar o FGTS para rever a sua visão sobre finanças pessoais?

10/03/2017

A liberação dos saldos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) certamente trará um alívio às dívidas de muita gente. A partir do dia 10 de março, mais de R$ 43 bilhões poderão ser sacados nas agências da Caixa Econômica Federal por mais de 30 milhões de trabalhadores que solicitaram demissão voluntariamente ou foram demitidos por justa causa até dezembro de 2015.

Para aqueles que possuem essas contas inativas e que sacarão sua parte, o que fazer com esse dinheiro, que chegou de forma tão inesperada? Em primeiro lugar, sem pensar muito, quite as dívidas com juros altos ou que estejam complicando o seu bolso. Não faz sentido manter uma dívida em cartão de crédito, cheque especial, empréstimos diversos ou prestações atrasadas de algum financiamento e sair gastando esse dinheiro que chegou de repente. Elimine ou reduza suas dívidas e deixe de pagar juros absurdos.

Quanto às dívidas de longo prazo, como financiamentos de imóveis ou outros bens duráveis, não se preocupe em quitá-las ou amortizá-las. Geralmente, estas dívidas estão atreladas a juros específicos, mas baixos, e que cabem no orçamento doméstico. Não faz sentido quitar uma dívida de longo prazo quando existem necessidades prementes ou dívidas mais caras que requerem uma ação imediata. No Brasil, as pessoas querem quitar sua casa o mais rápido possível. Mas devemos sempre pensar qual o benefício desta atitude. E se mantivermos a prestação como está e usarmos o dinheiro da quitação em outros investimentos? Claro, se for para gastar em supérfluos, abata a dívida. Caso contrário, deixe a prestação como está e use o dinheiro de forma mais inteligente. Nos países desenvolvidos, uma hipoteca é algo para a vida toda.

Caso não haja nenhuma dívida, procure investir uma parte do valor recebido e sinta-se livre para gastar o que sobrar em alguma coisa que necessite ou que lhe dê prazer.

Aliás, um dos objetivos da equipe econômica ao liberar o montante bloqueado do FGTS é colaborar com a retomada da economia, uma vez que a nossa condição macroeconômica necessita do crescimento do consumo como uma forma de gerar renda e aumentar o nível de emprego da população. Contudo, a eficácia desta medida é questionável, uma vez que não há garantia alguma de que os níveis de emprego venham a melhorar com a injeção de capital na economia. É sabido que as empresas ajustaram seus organogramas para a crise atual e não contratarão até que os sinais de crescimento estejam muito evidentes.

Por conta desta indefinição da retomada econômica, com o que sobrar após quitar suas dívidas caras e comprar algum presente, procure compor ou ampliar suas reservas financeiras.

Para identificar qual o valor adequado para poupar, considere todas as suas despesas mensais, incluindo aquelas que não são tão aparentes, como lanches, cafés, cinema e demais que normalmente não consideramos quando listamos nossos gastos. Minha experiência como assessor de finanças pessoais indica que cerca de 30% das despesas mensais não são claramente definidas ou identificadas pelas pessoas. Ou seja, caso você gaste 10 com todas as suas despesas, normalmente só considera 7 como efetivo, pois neste valor estão as despesas explícitas, como aluguel ou prestação de imóvel, escola, supermercado, celular, TV paga, plano de saúde e demais despesas mapeáveis. Contudo, o que nos causa muita dor de cabeça e desestabiliza nossas finanças são as demais despesas, não percebidas como relevantes. Não se esqueça, portanto, de considerá-las no levantamento.

Tendo mapeado seus gastos, identifique o que é essencial daquilo que pode ser considerado supérfluo. Mas não corte todas as despesas com lazer. Um cineminha a cada quinze dias, ou algo equivalente, é essencial, mesmo em períodos de vacas magras.

Após identificar os itens essenciais, multiplique o valor por doze. Pronto, este é o montante que você deverá considerar como reserva emergencial. Em outras palavras, é o quanto você e sua família precisarão para viver um ano sem atropelos, caso venha a ficar desempregado. Podemos chamar isto de volume morto, numa alusão à seca experimentada pela região sudeste há poucos anos. O que for poupado, além deste valor, poderá ser considerado como reserva para gastos específicos, como viagens, presentes, automóveis, imóveis ou o que mais desejar.

Aproveite a oportunidade que o FGTS poderá lhe dar para rever seus gastos, adequar seus investimentos e ter uma vida mais tranquila. Boa sorte!

Comentários:

Nenhum comentário ainda.

Nome:

E-mail:

Comentário