A importância da Contabilidade no Curso de Graduação em ADMA

09/10/2007

1) Introdução
O ensino superior e chamado em todos os lugares a melhor se adaptar e responder às exigências de uma época em que as possibilidades novas que se abrem seguem lado a lado com a emergência de novos desafios e profundas perturbações. Deve avançar para que possa corresponder aos desafios evolutivos do mundo do trabalho.

Formar o cidadão, com a potencialidade de desenvolvimento social, cultural, econômico e político da sociedade implica em articular a universidade com as demais instituições sociais. A universidade não pode estar fora ou à parte da sociedade, ela é uma instituição social.

Hoje, o ensino-aprendizagem é idealizado, planejado e é indispensável que seja efetivado através do desenvolvimento das competências e habilidades de todos os envolvidos no processo: Professores e Alunos.

Neste contexto, fizemos uma reflexão sobre o ensino da Contabilidade e sua importância no curso de graduação em Administração em um Centro Universitário situado na cidade de Manaus. 

A Contabilidade é uma disciplina que faz parte do rol da grade curricular do curso de graduação em Administração, considerada por alguns acadêmicos não muito importante ou até mesmo de difícil compreensão por parte de alguns deles.

 Embora seja uma disciplina de grande importância na vida acadêmica e profissional na área de Administração ela aparece como uma disciplina não muito prestigiada pelos acadêmicos de Administração devido às dificuldades apresentadas por ela.

            A referida pesquisa esta de tal forma estruturada: No primeiro capitulo vamos realizar um breve histórico da Contabilidade desde sua origem até a atualidade; O perfil da prática pedagógica do docente de nível superior da área Contábil; Competências e habilidades no ensino da Contabilidade; O professor de Contabilidade e sua formação; Formação continuada do profissional da Contabilidade; O perfil da instituição no processo do ensino-aprendizagem e a formação e o perfil do acadêmico de Administração.

No segundo capitulo vamos abordar os procedimentos metodológicos.

            Nesse sentido, a pesquisa tenta detectar a real importância do ensino da Contabilidade para os acadêmicos de Administração, bem como a prática docente dos professores no processo de ensino-aprendizagem que possam contribuir na estrutura das teorias e conceitos e práticas da disciplina, na busca de compreender as relações estabelecidas entre os professores e os alunos nesse processo, bem como investigar como os acadêmicos entendem a Contabilidade, o que pensam e esperam com o conhecimento que adquirem nesta disciplina.

            Pesa ainda a formação dos professores, que muitas vezes, não estão capacitados para serem profissionais da educação, uma vez que desempenha esta atividade apenas como um “extra” ou um passa tempo, dessa forma complicando o processo de aprendizagem.

            No centro de tudo esta o acadêmico sem saber ao certo como agir, pois ao final do período deverá ter obtido resultado satisfatório, ou seja, nota acima da média para passar de período, mesmo que desconheça o conteúdo e principalmente a devida importância da disciplina em questão.

Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo demonstrar e investigar o motivo, ou quais os motivos que levam a disciplina de Contabilidade à não ter a sua devida importância no processo de ensino e aprendizagem.

A metodologia  utilizada na pesquisa esta baseada na pesquisa ação, onde o principal objetivo é investigar problemas e suas possíveis soluções, visando reouvê-los com a direta e imediata aplicação de seus resultados, o que caracteriza uma intervenção. Pode ser utilizada para levantar elementos para embasar mudanças e desenvolver eficientemente a prática educativa em sala de aula. Esse tipo de pesquisa visa, sempre, implantar alguma ação que resulte em uma melhoria para o grupo em estudo, mesmo que esta consista apenas em se tomar consciência de um fato. Para tanto, exige um papel ativo do pesquisador no equacionamento dos problemas encontrados, no acompanhamento e na avaliação das ações desencadeadas em função dos problemas.         

2) Origem da Contabilidade
A história da Contabilidade é tão antiga quanto à própria história da civilização. Está ligada às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à posse e de perpetuação e interpretação dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem sempre dispôs para alcançar os fins propostos.

Como já sabemos não se pode precisar exatamente quando iniciou a Contabilidade. Porém, sabe-se que o homem desde que passou a possuir bens patrimoniais e riquezas, ele teve a necessidade  de ter controle de seu patrimônio, através da contabilização e registros de inventários estabelecidos pela Contabilidade.

Segundo Oliveira (2000, p.20), a Contabilidade como ciência, no formato conhecido por nós atualmente, veio a florescer no inicio do século XVIII na Itália, para suprir as necessidades de controle existente à grande atividade mercantil gerada pelo capitalismo crescente.

A Escola Italiana, como ficou conhecida, difundiu-se pelo mundo. O surgimento de grandes empresas em virtude do capitalismo impulsionou o aparecimento de novas escolas e teorias a respeito das metodologias contábeis, destacando-se a escola européia e a escola norte-americana.

Diante do exposto, podemos verificar e fazer um breve comentário sobre o surgimento das escolas que deram origem  a evolução das Ciências Contábeis,  vejamos:
Dentro da escola italiana, varias correntes de pensamento contábil se desenvolveram, tais como: O Contismo, o Personalismo, o Neocontismo, o Controlismo, o Aziendalismo e o Patrimonialismo.

2.1 Escola Norte-Americana
O desenvolvimento econômico acompanha de perto o desenvolvimento contábil. Em 1920, com a grande ascensão dos EUA, deu-se origem à Escola Norte-Americana.

Com o surgimento das grandes Corporations, principalmente no século atual, adicionando-se o desenvolvimento do mercado de capitais, a Contabilidade encontrou um campo propicio para o seu desenvolvimento com teorias e aplicações no campo prático.
No inicio do século XX, a chamada Escola Européia teve sua queda, quando a Escola Norte Americana obteve sua ascensão.

Conforme Iudícibus (1987, p.33) as maiores influências sobre a teoria da Contabilidade, nos Estados Unidos, deveram-se basicamente, ao grande avanço e refinamento das instituições econômicas e sociais; à Revolução Industrial, com sua influência na Contabilidade de Custos; ao desenvolvimento das S/A e à fusão de empresas, tornado-se grandes e complexas corporações; ao aumento do numero de investidores de médio porte, que desejavam estar permanentemente informados, e que, para tanto, pressionavam os elaboradores de demonstrações financeiras; e ao fato de o Instituto Americano de Contadores Públicos ser um órgão atuante em matéria de pesquisa contábil.

2.2 Ensino e origem da Contabilidade no Brasil
A Contabilidade no Brasil iniciou com duas básicas metodologias distintas aplicadas ao ensino da Contabilidade, que teve como base a Escola Italiana e Escola Norte Americana.

A metodologia preconizada pela escola Italiana, que ainda hoje predomina em alguns cursos de Ciências Contábeis no Brasil, toma como base definições introdutórias de Contabilidade, a apresentação de inicio, da teoria do débito e crédito, para em seguida justificar esses procedimentos. Ou seja, a escola Italiana parte do pressuposto que primeiro surgem os fatos e estes necessitam ser escriturados, o que é feito através de lançamentos, e após a organização desses lançamentos em ordem cronológica (escrituração) é que se elaboram os balancetes e outras demonstrações da estática e da dinâmica patrimonial.

A metodologia contábil Norte-Americana, não vem sendo seguida a contento pelos professores dos cursos de Ciências Contábeis. Muitos deles têm abordado de forma muito simplista as demonstrações, passando em seguida, para os lançamentos contábeis. Com isso, os alunos não têm condições de assimilar as demonstrações, nem os lançamentos, pois um volume muito grande informações é dado no espaço de tempo muito curto (às demonstrações e os lançamentos são ensinados no inicio do curso), fazendo com o que o aprendizado seja muito pequeno e o aluno fica desmotivado com a disciplina.

No Brasil, assim como em outros países, a necessidades de determinados profissionais sempre esteve associada ao desenvolvimento econômico. Neste particular, um dos aspectos que merece destaque é a grande semelhança entre o desenvolvimento da profissão nos Estados Unidos e no Brasil. Entretanto, pelo fato de o Brasil não ter experimentado o mesmo grau de desenvolvimento econômico que floresceu naquele país, e de não haver um entrosamento entre o desenvolvimento da profissão e o ensino superior, a profissão contábil no Brasil passou a apresentar vários problemas.  

2.3 A Contabilidade na Atualidade
Pode-se entender que Contabilidade como sendo a ciência social que estuda, analisa, interpreta e controla o patrimônio da empresa. Para atingir essa missão, ela utiliza-se dos princípios fundamentais da Contabilidade e de várias metodologias para analisar, classificar e registrar os diversos fatos ocorridos nas atividades no dia-dia das empresas.

A Contabilidade é fundamental para o controle e o acompanhamento das atividades econômicas e empresariais. Em sentido mais amplo, ela trata da coleta, classificação, apresentação e interpretação das informações e dados econômicos, operacionais e financeiros das empresas. Mesmo nas pequenas empresas, deve-se manter o registro contábil dos bens, direitos e obrigações com o arquivamento da documentação para suprir as necessidades de informações dos proprietários, da fiscalização, dos credores e outros usuários.

Nesse sentido, a Contabilidade se apresenta nas diversas grades curriculares do Curso de Graduação em Administração, onde a disciplina geralmente aparece no primeiro e no segundo período.
 
A função da Contabilidade é registrar, estudar e interpretar ou analisar os fatos financeiros e/ou econômicos que afetam a situação patrimonial que perpassa determinada pessoa física ou jurídica em dado momento, afim de que se possa demonstrar e avaliar as alterações contábeis tradicionais e atuais.

3) O perfil da prática pedagógica do docente e as competências e habilidades do ensino de Contabilidade.

Podemos observar, que ser professor é mais que uma profissão,  que exige a dedicação com afinco na prática pedagógica, como por exemplo, a pesquisa, a atualização na área, bem como ter uma consciência critica para a uma boa formação de seus discentes.

Delors (2001, p.72) deixa bem claro que o compromisso da educação do século XXI, no que se refere ao pilar do aprender a ser, é fazer com que os alunos estejam compromissados com sua completa realização como indivíduo, membro de uma família, membro de uma coletividade, cidadão, produtor, inventor de técnicas e criador de sonhos.

 O grande desafio da educação contábil é adequar seus aprendizes à demanda da realidade econômica com responsabilidade e competência. A linha educacional que tem sido adotada impossibilita o aluno a criar e o torna reprodutor de idéias entendidas como verdades absolutas. O Contador deve ser capaz de desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e controle gerencial e exercer com ética suas atribuições. Além disso, deve estar integrado com os problemas da sociedade e assumir uma postura de maior autonomia e participação na sociedade.
 
O professor de nível superior da formação profissional tem a responsabilidade de formar pessoas com competências e habilidades para dar a sua contribuição neste ambiente, quer atuando como docente, quer como profissional ou pesquisador, dentro de padrões técnicos nacionais e internacionais.

Muitos fatores influenciam para a aprendizagem e todos devem ser analisados, para que se possamos apontar possíveis soluções que melhorem o entendimento da disciplina. A metodologia usada na graduação, hoje, não valoriza todos os aspectos do aluno-pessoa. Nesse sentido, a Contabilidade mais do que oferecer a possibilidade de tantas e tão variadas conexões, proporcionam a capacidade de expansão de nossa mente. Buscar essa expansão deve ser o objetivo do professor de Contabilidade.


Para fundamentar o que estamos apresentando, citamos um dos maiores pesquisadores na área contábil, Marion (1998, p.2) onde declara: Ironicamente podemos dizer que o professor de Contabilidade, de maneira geral, constitui uma das categorias que menos pesquisa na área contábil. Não nos referimos à pesquisa de novas descobertas na área profissional, mas sim no que tange ao ensino da Contabilidade. 

É importante destacar, que o desafio ao exercer a docência nas instituições superior tem, atualmente, vários determinantes. Nossa reflexão neste espaço buscará discuti-los apontando possíveis saídas para a construção da competência necessária, fruto de uma síntese possível e desejável, entre os saberes científicos e pedagógicos, essenciais à profissão do docente do ensino superior.

No caso da profissão universitária, para a maioria dos professores que atuam nas instituições de ensino superior, os cursos efetivados na universidade não funcionaram como preparação para a docência, com exceção dos professores oriundos nas áreas de educação ou licenciaturas, que tiveram oportunidades de discutir elementos teóricos e práticos a questão do ensino e da aprendizagem, porém para outra faixa de idade dos alunos.

Com o grande surgimento dos cursos técnicos em nível superior, ou seja, curso específico, regulamentado por classe civil, surge também à carência de professores  com qualificação técnica na área de educação.

De acordo com Ramirez (2000, p. 25), a educação e o desenvolvimento de competências são processos que jamais podem ser considerados plenamente ou definitivamente concluídos e são o resultado do entrelaçamento das habilidades, conhecimentos e atitudes.

Se a Contabilidade tem uma utilidade prática, porque os alunos sentem tanta dificuldade? Alguns autores já apontam para uma nova direção, propondo um ensino que desenvolva competências e habilidades, alem de compreender enunciados que envolvam fórmulas e cálculos utilizado na Contabilidade. A disciplina traz também uma grande vantagem no que diz respeito à pesquisa, uma vez que pode construir e investigar situações problemas, identificadas nas grandes empresas.

O ensino da Contabilidade, ao ser compreendido como um processo de dialogia, segundo Laffin (2001, p.18), tem a intencionalidade de ajudar o aluno a entender as diferentes relações de saberes dos sujeitos históricos. Nesta perspectiva, inferimos que a intencionalidade do professor de Contabilidade é a de ensinar e de aprender e, assim, levando em consideração vários atributos da identidade profissional desse professor.

Para Laffin, tais atributos do professor de Contabilidade nos ajudam a refletir sobre a formação do professor que ensina Contabilidade e a destacar como primordial a necessidade do estabelecimento de um diálogo entre a sua formação inicial e o caráter essencial da docência por meio da reflexão-ação e da reflexão de sua ação docente.

Competências e habilidades são duas palavras muito importantes no contexto atual, visto que a própria LDB (Lei de Diretrizes e bases) e regulamentações complementares trazem, por exemplo, uma definição de competência como sendo “capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente de atividades requeridas pela natureza do trabalho” (Resolução CNE/CEB, nº 04/99, art.6).

As competências técnicas são conhecimentos que permitem a identificação mais direta com uma profissão e podem ser adquiridas em parte no sistema educativo e na formação profissional e, em parte, na empresa. Combinando as competências transmitidas pelas instituições formais e as habilidades adquiridas por sua prática profissional e por suas iniciativas pessoais, em matéria de formação, o indivíduo torna-se agente e principal construtor da sua qualificação.
  No caso específico do papel do professor na formação profissional do aluno, essa capacidade, segundo Giorgi (2001, p.27) adquire uma abrangência que inclui: conhecimentos teóricos, pedagogia e experiência profissional.

Assim, os Contabilistas têm que atuar nesse novo ambiente, que exige informações úteis completas e corretas e em curto espaço de tempo. Seu papel também deve passar por transformações de modo a tornar-se compatível com os novos tempos. Deve ter competência para compreender ações, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações, compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional.
 

 Segundo Iudícibus & Franco (1983, p.55), há necessidade de se preparar profissionais, não apenas com o domínio das mais avançadas técnicas disponíveis, mas dotados de habilidades e do discernimento necessário para além do como fazer, perseguirem o que fazer. Dominar a técnica não é suficiente. O mais importante é estar preparado para perceber quando a técnica precisa evoluir.

É nessa busca diária sobre a função do ensino é que o professor de Contabilidade deve caminhar para um melhor progresso no processo do ensino-aprendizagem  no curso de graduação em administração.

4) O perfil das instituições de Ensino Superior no processo Ensino-aprendizagem da Contabilidade.
Desde suas origens a universidade buscou efetivar os princípios de formação, criação, reflexão e crítica, tendo sua legitimidade derivada de autonomia do saber face à religião e ao estudo. Ela tem a sociedade não só como seu princípio e referência normativa, valorativa e determinada, mas também determinante, caso perceba que está inserida na divisão social e política (Chauí, 2001, p.35).

O Ensino Superior é chamado em todos os lugares a melhor se adaptar e responder às exigências de uma época em que as possibilidades novas que se abrem seguem lado a lado com a emergência de novos desafios e profundas perturbações. Deve avançar para que possa responder aos desafios evolutivos do mundo do trabalho.
            
Numa instituição social o papel do professor universitário exige pesquisa, cujo produto deve ser socializado no ensino, numa ação docente comprometida com o possibilitar de um profissional competente, fruto dos currículos universitários.

O problema da qualidade de ensino de Contabilidade é algo antigo e passa por um fator determinante que é o professor, fator este já pesquisado na Revista Paulista de Contabilidade por Salvador (1946) citado por Machado (1982, p. 38), onde nos diz:

O curso de Contabilidade, ministrado nas escolas de comércio, além de não satisfazer completamente às nossas necessidades, é quase de um modo geral ministrado com pouca eficiência, visto a dificuldade de se encontrar bons professores, além de outras circunstâncias – tais como grande número de alunos em cada classe, falta de uma boa disciplina – e mesmo a deficiência das aulas quanto ao seu sistema prático, que de prática propriamente dita pouco tem.

Verifica-se então que a melhoria dos Cursos Superiores se dá desde o início pelo compromisso e por uma maior dedicação por parte dos professores, tratando a docência com mais profissionalismo e não como mero complemento do seu orçamento, como também uma participação mais adequada das IES nos investimentos em recursos humanos e principalmente na capacitação didático-pedagógica dos professores de Contabilidade.

Ocorre que no contexto atual, a universidade vem perdendo essa característica secular e se tornando uma entidade administrativa. Como tal deve atuar segundo as regras e normas desprovidas de conteúdo particular, formalmente aplicados a todas as manifestações sociais e de forma isolada. Seu sucesso e eficácia são medidos em referência a gestão de recursos e estratégias de desempenho (gestão, planejamento, previsão, controle e êxito) relacionando-se com as demais universidades por meio da competição, não lhe competindo discutir ou questionar sua existência e sua função social.

Não mais priorizando seu compromisso quanto ao conhecimento e à formação intelectual, “opera e por isso não age”, se restringe a “dar a conhecer para que não se possa pensar. Adquirir e reproduzir para não criar. Consumir em lugar de realizar o trabalho de reflexão” (grifos da autora – Chauí, 2001, p.62).

É nesse contexto de alterações que a partir dos anos 90, entramos na chamada universidade operacional, onde a formação de profissionais se resume à transmissão rápida de conhecimentos, habilitação para graduados que precisam entrar rapidamente no mercado de trabalho, restringindo-se o papel da universidade ao treinamento, ao adestramento.

“A universidade, exatamente como a empresa, esta encarregada de produzir incompetentes sociais, presas fáceis da dominação e da rede de autoridades (..) tanto menos se deve ensinar e tanto menos se deve aprender”(grifos da autora - Chauí, 2001, p.55).

Para atuar numa instituição de ensino superior que funcione como entidade administrativa, numa atividade de mera reprodução do conhecimento reduzido à informação, um método tradicional, de simples repasse de conteúdos.

 E para isto, bastam às lembranças que temos das salas de aula universitárias vivenciando em tempos idos, onde predominava o modelo tradicional metodológico, a manutenção de visão da ciência caracterizada por um saber escolar tomado como inquestionável, num processo predominantemente expositivo por parte do professor e passivo e minorativo por parte do aluno, reforçando relações individualistas, competitivas e não dialógicas entre docente e, em decorrência, entre disciplinas curriculares, assim como entre os alunos.

5) O professor de Contabilidade e sua formação continuada
Com a crescente tecnologia e sua rapidez, as coisas do mundo evoluíram e a profissão contábil não pode continuar como anos atrás; ela tem que evoluir tem que pensar e buscar além do que o cliente pede. Mas para isso, Borges (2000, p.37) diz que é necessário que as faculdades se conscientizem e busquem cada vez mais a qualidade em seu ensino; precisam adequar e reformular bem sua grade curricular para que seus “produtos” satisfaçam o mercado.
 
Diante desse contexto e partindo-se da premissa de que a Contabilidade se desenvolve em um ambiente político, econômico e social, acredita que o ensino deva levar em consideração esse ambiente, traduzindo para o acadêmico de administração a realidade dos momentos de desenvolvimento da Contabilidade. Portanto, a escola, o discente e o professor deverão desenvolver uma metodologia para o ensino e aprendizagem, de maneira que a mesma aflore a inteligência do sujeito inserido numa situação social.

Existem muitos professores bons nos cursos de Ciências Contábeis, mas com certeza isso é fruto de um talento nato e somente isso não supre a carência que existe, pois como sugere Valcemiro Nossa (1999, p.15) se o corpo docente não estiver qualificado para ensinar a matéria com dedicação e compromisso – qualquer disciplina que for dada, o professor dá o que sabe e da maneira como sabe, ele ainda esclarece que:

No ensino da Contabilidade, geralmente grande parte dos professores é recrutada entre profissionais de sucesso (!) em seu ramo de atuação que, em sua maioria, estão despreparados para o magistério, não tendo noção do que é exigido para formação de alunos. O professor não deve estar preocupado apenas em passar para o aluno os conhecimentos que sabe, mas fazer o aluno aprender a aprender e para isso é preciso estar preparado. 

O estar preparado passa pela qualificação do corpo docente das IES e, no intuito de reforçar o presente argumento, cita ainda Mazzotti (2001, p.130) que diz:

Enquanto não conseguirmos qualificar todos os professores dos cursos de Ciências Contábeis e obter todos os outros recursos necessários para a criação do curso ideal que desejamos ou imaginamos, precisamos realizar as mudanças que julgamos necessárias e aceitar todas as correções de rota, sempre que necessário.

Verifica-se que os esforços para a melhoria do ensino e do exercício da profissão contábil vêm de todos os lados – docentes e discentes e IES, mas é necessário incentivar o estudante para a ‘pesquisa’ e criação de opiniões próprias, onde não sofra influências de professores ou autores, pois o homem e o cidadão são livres para formar suas próprias convicções.

Ao professor cabe a tarefa de ser um facilitador da aprendizagem, criando situações desafiadoras através de orientação dirigida para esse objetivo, devendo também estabelecer condições de reciprocidade ente o sujeito e o objeto, assumindo que o aprendizado será decorrente da assimilação do conhecimento pelo sujeito e também da modificação de suas estruturas mentais existentes.

A prática pedagógica do trabalho do professor de Contabilidade deve revestir-se da apropriação de conhecimentos que promovam diferentes aprendizagens e o desenvolvimento dos alunos, porque o seu trabalho também é marcado por possibilidades e dilemas, o que lhe exige um constante processo de aprender que também é marcado por sua subjetividade.
 Outro ponto importantíssimo é o nível de sua graduação: devem fazer mestrado, doutorado, para adquirir mais conhecimentos e dinamizar suas aulas com informações extras para os alunos. Na realidade, é preciso buscar diferentes didáticas para que todos os
acadêmicos  consigam assimilar o que está sendo ensinado, através de diferentes técnicas, pois entendemos o professor como sendo o mais importante fator critico do sucesso do ensino.

O professor de Contabilidade, segundo Laffin (2001, p. 45), ao conhecer e participar das discussões sobre o projeto pedagógico do curso acaba por apropriar-se de habilidades que favorecem a condução e discussão do planejamento e a organização e avaliação do seu trabalho. Para tanto, destacamos a seguir elementos que visualizamos como componentes da ação do professor de Contabilidade inserida numa ação de comprometimento social e que se constituem também como ações de formação continuada:

 Ao professor cabe organizar situações de ensino e aprendizagem adequando objetivos, conteúdos e metodologias com o projeto pedagógico do curso, contribuindo com a qualidade do ensino, assim como estar atento às formas de incorporar ao trabalho docente as novas tecnologias. Também coordenar pesquisas e inserir-se em grupos de pesquisas de modo a produzir conhecimentos teóricos e práticos. Possuir domínio sobre conteúdos e metodologias de maneira a converter os conhecimentos científicos em conhecimentos curriculares, considerando as suas condições materiais e de seus alunos.

A formação de professores tem sido um objeto de muito estudo e discussões, no qual podemos fazer algumas reflexões pertinentes ao tema. Contudo, existem ainda muitas dúvidas e indefinições, cujo encaminhamento apropriado depende de um trabalho coletivo, que abra espaço para manifestações, depoimentos e sugestões dos próprios profissionais que atuam no ensino da Contabilidade.

Buscando contribuir para o avanço desse processo, a referida pesquisa lança uma abordagem critica e analítica sobre a formação dos professores, dando um enfoque maior aos professores que atuam na docência superior na área contábil.  

 A formação continuada desse profissional deve buscar contribuir para o desenvolvimento global das experiências e das informações contábeis, focalizando em especial os docentes desta disciplina, visando contemplar o significado da profissão de professor.
 
  O professor de nível superior da formação profissional, de acordo com Giorgi (2001, p.55), tem a responsabilidade de formar pessoas com competências e habilidades para dar a sua contribuição neste ambiente, quer atuando como docente, quer como profissional, ou pesquisador, dentro dos padrões das técnicas nacionais e internacionais.

O professor deve estar constantemente refletindo sobre sua ação educativa, suas estratégias de ensino, e se questionando sobre os resultados obtidos em cada técnica utilizada em suas aulas. Para aplicar uma estratégia, o professor deve ter o domínio da disciplina que leciona, do método ou técnica que irá utilizar.

O ensino continuado é um fator de suma importância dentro das estratégias de ensino. Professores que estão em determinada cadeira há mais de um período, como diz Pinheiro (2001, p.87), devem sempre se atualizar na tentativa de melhorar ao maximo seu desempenho, adquirindo domínio de muitos métodos e técnicas de ensino. Isso possibilita uma grande variação de exposições e maior motivação para o aluno, tornando sempre a aula criativa e dinâmica. As ações que desafiam a inteligência e a capacidade de inovar têm como aliado o professor, que desempenha um papel fundamental neste processo de ensino e aprendizagem.

Para Sá (1998, p.25), amplia-se, a cada momento, a cada passo em frente que os meios de comunicação realizam, a necessidade de transformações de conceitos e de práticas no campo da informação sobre a riqueza. A velocidade com que as decisões devem ser processadas mudou a atmosfera administrativa de nossos dias e a Contabilidade, como fonte de orientação de modelos de comportamentos dos capitais, vem acompanhando essa evolução. Isso, todavia, não só exige repensar os critérios informativos, mas especialmente, considerar como tais sistemas que se enquadram nas exigências doutrinarias cientificas, sob pena de se estabelecer o caos.

A Contabilidade, como ciências sociais, ao ampliar seus objetivos de controle, análise e gestão do patrimônio das organizações, insere-se nesse movimento interdisciplinar para contribuir com o processo de formação continuada, visando com isso torna-la um diferencial competitivo do profissional contábil.

Neste sentido, Laffin (2002, p.35) diz que nessa perspectiva da profissão contábil que a formação continuada perecia superar as formas tradicionais de treinamentos aligeirados sobre temas contábeis. A formação continuada do profissional da área contábil não pode apenas se restringir aos cursos de atualização, mas necessita tornar próprios os conteúdos e conhecimentos consistentes e abrangentes que envolvem a legislação pertinente às normas técnicas e profissionais.

Contudo, a de se observar também que para uma melhor formação do professor da área contábil não vale só o conhecimento  específico, e sim também o conhecimento da prática pedagógica, nas formas de metodologias e didática para ser bem utilizadas em sala de aula.

6) O perfil e a formação do acadêmico de Administração
Na maioria das vezes o aluno do curso de Administração não teve como primeira opção no vestibular estudar Contabilidade, outros cursos vieram em primeiro lugar na sua preferência.
            
Uma outra quantidade de alunos veio para o curso pela perspectiva de arrumar uma colocação no mercado de trabalho mais fácil ou pelo desejo de fazer um concurso público e ter uma estabilidade financeira e, em último lugar a influência por parte dos familiares, já que mesmo os pais sendo profissionais de Administração e Contabilidade, não sonham o mesmo para seus filhos.

Com todos os tipos de alunos apresentados, temos ainda um indicador negativo que é a situação de se trabalhar o dia inteiro e à noite ter que ir assistir aula. O fator tempo cria uma grande dificuldade tanto para alunos como para professores de se ter um bom aprendizado dos conteúdos e o que vemos são as IES a cada semestre colocarem no mercado de trabalho uma quantidade enorme de pessoas frustradas em terminar o curso de Administração  sem se sentirem aptas para o exercício da profissão de Administrador.

 A administração, como ciência, veio se desenvolvendo constantemente ao longo do século passado. Novas ferramentas de gestão surgiram e tornaram-se manias mundiais, mas logo desapareceram. No entanto, alguns valores essenciais como a ética, o trabalho em equipe e o planejamento estratégico na gestão empresarial continuam fortes, alem além de outros novos, como a responsabilidade social e ambiental, cada vez com uma maior importância no perfil de qualquer administrador no inicio desse novo século.
  
 O novo perfil do administrador inclui desenvolvimento das competências em outras ciências, bem como ter uma visão generalista das organizações, disposição para atuar em parcerias, ação estratégica e menos rotinas, capacidade de aprendizagem continua principalmente em outras ciências, atenção preferencial para a qualificação e motivação pessoal entre outros.

 Todavia, podemos verificar que o administrador do futuro deve ter a consciência de perceber que outras ciências como o estudo da Contabilidade e outras são de suma importância para o seu crescimento profissional.

7) Metodologia
Mesmo havendo essa discussão sobre o conceito da palavra, ANDEREGG (1978, p.28) determina como um procedimento reflexivo sistemático, controlado e critico, permitindo descobrir fatos, dados, relação ou leis, em qualquer campo crítico.

Durante a pesquisa o método utilizado mais adequado foi o indutivo, tendo em vista que a indução é um processo mental que parte do particular para o geral, onde foram observados os fenômenos, a relação entre eles e a generalização dessa relação do estudo.

Quanto à natureza da pesquisa foram utilizadas as duas formas, ou seja, a pesquisa quantitativa e a pesquisa qualitativa. Onde, na quantitativa foi utilizada para quantificar os dados levantados em categorias isoladas e a qualitativa foi utilizada com o objetivo de qualificar a realidade dos sujeitos envolvidos e do tema proposto.

No que se refere à forma da pesquisa, utilizou-se a pesquisa critica no intuito de coletar os fatos e buscar identificar suas causas, aprofundando o conhecimento acerca do tema em questão. 

 Os meios utilizados de investigação forma a pesquisa bibliográfica, onde foi necessário utilizar informações sobre o tema já publicado, o outro meio foi a pesquisa de campo onde foi necessário estar “in loco” coletar dados, ou seja, ir diretamente ao local do problema.

O tipo da pesquisa utilizada foi à pesquisa ação, cujo, o principal objetivo é investigar problemas e suas possíveis soluções. Visando resolvê-los com a direta e imediata aplicação de seus resultados, o que caracteriza uma intervenção.Esse tipo de pesquisa visa, sempre, implementar alguma ação que resulte em uma melhoria para o grupo em estudo, mesmo que esta consista apenas em se tomar consciência de um fato.

Com relação ao universo e amostra, a pesquisa trabalhou com duas populações distintas, sendo uma de acadêmicos de graduação em Administração e outra de professores que ministram a disciplina Contabilidade.

A instituição analisada como estudo da referida pesquisa foi  o Centro Universitário do Norte - UNINORTE, no curso de graduação em Administração.

Foram pesquisados 150(cento e cinqüenta) alunos e 5 (cinco) professores que representam cerca de 10 (dez) de cada universo (população) com 95% (noventa e cinco portento) de margem de acerto com uma margem de erro de 1,96 % para mais ou para menos conforme as normas gerais de levantamento estatístico citadas por SAMARA e DE BARROS (2006, p.96) já que foram levantados dois universos e duas amostras diferentes para gerar uma comparação de resultados.

Os levantamentos de dados foram de caráter qualitativo e quantitativo, pois foram analisadas questões de ordem conceitual e de ordem numérica. Quanto ao ponto qualitativo foram pesquisados as motivações a fim de identificar os pontos comuns e distintos presentes na amostra conforme afirma SAMARA e DE BARROS (2006, p.30-31). Já no caráter quantitativo foram avaliados os valores numéricos representativos na amostra para o universo, determinando no estudo de caso através de médias e percentuais obtidos na referida pesquisa.

SAMARA e DE BARROS (2006, p.103) define tabulação como a padronização e codificação das respostas de uma pesquisa de maneira ordenada de expor os resultados numéricos para que a leitura e a análise sejam facilitadas.

Com isso a tabulação dos resultados da pesquisa foram organizados de dois modos: representados por gráficos setorial onde se fez uma representação limitada em círculos também chamados de pizzas, objetivando informar ao investigador o pleno conhecimento da situação do problema pesquisado conforme aborda MARCONI e LAKATOS, sobre os gráficos analíticos.

Objetivam dar ao público ou ao investigador um conhecimento da situação real, atual do problema estudado. Devem ser feitos com cuidados impressione bem, tenha algo de atraente, mas este cuidado artístico não deve ser exagerado a ponto de prejudicar o observador na apresentação fácil dos dados (MARCONI e LAKATOS, 2002.p.38).

 As técnicas utilizadas para pesquisa foram à documentação indireta, onde foi usada a pesquisa bibliográfica. Outra forma foi à documentação direta, utilizando a técnica de entrevistas com os sujeitos da pesquisa em questão (acadêmicos e professores), também foi utilizada a observação direta extensiva com a técnica de questionários.  

8) Análise dos resultados
Ao analisarmos minuciosamente as informações coletadas, verificamos que a maioria dos acadêmicos de graduação em Administração tem interesse em aprender a disciplina Contabilidade e sabem da importância dela para o curso e para sua formação profissional, apesar de alguns acadêmicos apresentarem, falta de base (conhecimento), às vezes falta de interesse, por não terem domínio de cálculo e conseqüentemente saber interpretar dados das Ciências Contábeis.

Vejamos algumas análises sobre esses dados, onde aplicamos dois questionários referentes à disciplina em questão, sendo o primeiro com 09 questões para 150 (cento e cinqüenta) alunos que freqüentam regularmente o curso de Administração, e o segundo para 05(cinco) professores que ministram a disciplina Contabilidade, onde responderam o seguinte:
3.1.3 GRÁFICOS

A partir dos dados apresentados no gráfico 1, podemos observar que a maioria dos acadêmicos que responderam o questionário tem interesse, gostam e sabem da importância da disciplina na grade curricular do curso de Administração. Quanto àqueles que não têm interesse, não gostam e não dão importância ou estão em dúvida (mais ou menos) são a minoria.

Conforme comprovamos os dados do gráfico 2, no que se refere à aprendizagem da disciplina, foram constados que, a minoria dos acadêmicos sabem bem a disciplina, bem como resolver as atividades. Outros acadêmicos, ou seja, quase um terço do percentual de 100%, não sabem a disciplina e não conseguem resolver facilmente as atividades. Entretanto, a maioria dos acadêmicos disseram saber (mais ou menos) sobre a disciplina e resolver as atividades facilmente.

Quanto aos dados do gráfico 3, referente às dificuldades de aprendizagem encontrada na disciplina, verificou-se que a maioria dos acadêmicos disseram ter grandes dificuldades de interpretação dos assuntos de Contabilidade. Se somarmos os outros tipos de dificuldades encontradas pelos acadêmicos, como por exemplo: (falta de base, atenção e interesse, barulho em sala de aula metodologia e didática dos professores entre outras), chegaremos a quase um terço do percentual de 100%. Porém a minoria relataram não possuir dificuldades de aprendizagem na referida disciplina.

 No que se refere aos dados do gráfico 4  sobre a metodologia dos professores, foi evidenciado que a maioria dos acadêmicos gostam e acham boa a metodologia dos professores de Contabilidade e a minoria disseram gostar de forma regular da maneira metodológica dos professores ensinar a disciplina.
 
 Os dados do gráfico 5, refere-se as respostas analíticas dos professores se os acadêmicos dão a devida importância à disciplina Contabilidade no curso de administração, onde dois terços dos professores disseram que a maioria dos discentes não dão a devida importância para a disciplina. E o restante dos professores, disseram que os acadêmicos dão sim a sua devida importância à disciplina.

 Considerando estes dados, e o papel que tem desempenhado os acadêmicos e os professores a fim de ajudar a modificar os conceitos de alguns, é de suma  importância  demonstrar em que contexto está inserida a universidade.

 É através da educação superior  que nós podemos ter uma sociedade mais justa, a política do governo nesta área parece agora estar tendo o objetivo de atender uma parte totalidade da população, para que no futuro tenhamos melhores condições de vida, sem tanta desigualdade social. Diante disso, é de se considerar que o nosso país está dando a devida atenção à universidade a passos curtos.

  Em que pese todo o conjunto de fatores de diferentes ordens, é sempre ao professor que cabe a tarefa de ensinar ou orquestrar uma sala de aula em que todos os aspectos descritos estão presentes e se combinam das mais diferentes formas.

Sabemos que pensar Contabilidade exige, desde cedo, um esforço de abstração e formalização o que demanda, por sua vez, desvincular o pensamento de propósitos e intenções imediatas. Ensinar Contabilidade é fazer ao aluno um convite à abstração. Esse convite, no entanto, parece que só pode ser aceito ou compreendido se o professor adotar algumas precauções. Em outras palavras, o professor precisa ter uma metodologia que possibilite mediações progressivas entre os significados contábeis e aqueles que o aluno domina. Em síntese podemos dizer que ensinar é  negociar significado.

Além disso, é necessário que a consciência da complexidade da produção de dificuldades na aprendizagem da Contabilidade seja um elemento incorporado à formação docente. A formação do professor será sempre insuficiente se ela se limitar a algumas regras didáticas gerais, sem clareza dos principais obstáculos que cada um dos conceitos apresentam, para os quais o professor deve desenvolver metodologias específicas.

9) Conclusão
Ao pesquisar o presente estudo do tema proposto, tudo leva a crer que a melhoria da disciplina Contabilidade no que se refere a sua importância, ao ensino e a aprendizagem passa por uma maior participação do corpo docente e discente na constituição de normas e avaliações ligadas ao curso de Administração, pois quando vemos as formatações já estão prontas e definidas, simplesmente devemos cumpri-lás.

As dificuldades encontradas por alunos e professores no processo ensino-aprendizagem da importância do ensino da Contabilidade são muitas e conhecidas. Por um lado, o aluno não consegue entender a Contabilidade que a universidade lhe ensina, bem como os cursos que oferecem tal disciplina, muitas vezes é reprovado, ou então, mesmo que aprovado, sente dificuldades em utilizar o conhecimento "adquirido", em síntese, não consegue efetivamente ter acesso a esse saber de fundamental importância.

O professor, por outro lado, consciente de que não consegue alcançar resultados satisfatórios junto a seus alunos e tendo dificuldades de, por si só, repensar satisfatoriamente seu fazer pedagógico procura novos elementos, muitas vezes, meras receitas de como ensinar determinados conteúdos e acredita que possam melhorar este quadro. Uma evidência disso é positiva, pois alguns professores estão se dando conta que é necessário discutir metodologias adequadas para o ensino da Contabilidade quando estão realizando seus planos de ensino.
 
Queremos dizer que, antes de optar por um método ou forma de ensinar, devemos refletir sobre a nossa proposta político-pedagógica; sobre o papel histórico da universidade, sobre o tipo de aluno que queremos formar, sobre qual Contabilidade acreditamos ser importante para esse aluno de administração, assim como na sua vida acadêmica e profissional.

Em outros momentos, o mais importante não será só conteúdo, mas sim, a discussão e resolução de uma situação problema ligada ao contexto do aluno, ou ainda, à discussão é a utilização de um raciocínio mais abstrato e consensual da disciplina em questão.

Nas dificuldades relacionadas à Contabilidade, descrevem como sendo uma disfunção específica na compreensão de tal disciplina. Diante dos estudos realizados acerca do aprender e do não aprender, parece consensual a imperiosa necessidade de se identificar, tratar e /ou prevenir o mais cedo possível as dificuldades de aprendizagem; de preferência ainda no primeiro período do curso. É de suma importância uma avaliação global dos acadêmicos, considerando as diversas possibilidades de alterações, que resultam nas dificuldades de aprendizagem.
 Em síntese, não se deve tratar o não aprender como problemas que nunca poderão ser resolvidos, antes disso, deve-se encarar como desafios que fazem parte do próprio processo de aprendizagem. Na realidade temos visto que a turma só é mobilizada a procurar ajuda especializada para seus colegas, quando ficam evidentes ou ameaçados o rendimento escolar e a aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem continuam a ser alvo de uma grande quantidade de alunos com problemas escolares. No entanto, o apoio que estes necessitam, ainda hoje é praticamente inexistente e muitas vezes são geradores de graves prejuízos favorecendo cada vez mais para a evasão escolar, para a formação de péssimos profissionais e conseqüentemente a troca de profissão.

Espera-se que as IES façam a sua parte no presente contexto, criando estratégias e planos para a carreira docente e que realmente valorizem os professores de Contabilidade para que eles tenham o reconhecimento do seu real valor na formação profissional do Contador, bem como do futuro Administrador. É necessário que as IES possibilitem a criação de metodologias de ensino onde sejam realizados treinamentos com os professores e tentem sanar as deficiências na utilização de recursos modernos com o apoio da informática no ensino superior de Contabilidade.

 Tudo indica que é necessária a criação de mais laboratórios para servirem de suporte às disciplinas ministradas no curso de graduação em Ciências Contábeis e Administração, bem como, incentivar o uso de jogos de empresas, estudos de casos e recursos computacionais. Cabe também as IES, manter professores em regime integral, investir na formação e aperfeiçoamento do seu quadro de docentes e estimular a pesquisa e a participação em congressos. Tudo isso resultando numa melhor remuneração para que possa haver uma maior dedicação e exclusividade por parte dos professores, evitando-se assim que os docentes fiquem alternando-se de uma instituição para outra em busca de sua independência social e econômica.

Por fim deve-se lembrar que o professor é peça fundamental no processo ensino-aprendizagem e nos dias de hoje, ensinar bem é saber selecionar os assuntos em face ao grande número de informações disponíveis, principalmente na Internet e lembrar-se que não podemos esperar verdades absolutas, pois todo conhecimento é inacabado. Que os professores promovam a interação entre eles e seus alunos, sempre numa postura mais humilde, descendo do pedestal onde alguns se colocam e rompendo barreiras que o ensino conservador impôs ao longo dos anos. 

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